Fisicamente, à luz da razão, Davi Samuel Alcolumbre Tobelem, (filiado ao União Brasil), nascido em 19 de junho de 1977 (48 anos), no Estado do Amapá, de origem judaica, e atual Presidente do Congresso Nacional, é um grande Senador. Segundo assessores, seu peso oscila entre os 90 e poucos e alguma coisa perto de cem. Algo assim.
Nenhuma ironia, constatação, fato. Politicamente, também sem ironia, todos aqueles com mais de 40 anos de estrada, devem concordar que os feitos adquiridos até os dias de hoje pelo Senador não merecem lá essa pompa toda que muitos lhe atribuem. Exagerados, com certeza, dizem alguns vizinhos de gabinetes, também surpresos com a ilusória ribalta.
Revisitando a história, com uma lupa de responsa, vamos nos deparar com nomes que, por atributos variados, com mais galhardia, imponência e sensatez, ocuparam a cadeira da presidência da casa, em épocas que a todos nós trazem lembranças bem mais apetrechadas de saber e equilíbrio emocional e partidário. Sem nenhum juízo de valor feito a qualquer outro ocupante do cargo, não há na história da casa política mais importante da república, decisão tão parcialmente envolvida e escancarada como a que agora o optou pela inviabilidade do jurista Jorge Messias ser indicado ao Supremo Tribunal Federal.
Longe de ser uma escolha feita por senadores cientes de seus deveres constitucionais, o que se viu foi uma indisfarçável e declarada pressão pública e ditatorial para que o candidato em questão fosse derrotado. Nada contra a opção de voto de cada um dos senadores, escolha essa secular e de livre arbítrio.
O que se questiona, e condena, é a forma como isso aconteceu. Deliberadamente uma atitude revanchista, orquestrada e historicamente sinalizando atender a interesses nada relacionados a condutas anteriores ao longo dos últimos cem anos.
O embate entre Alcolumbre e setores do atual Governo Federal (Lula especificamente) há meses que acontece, sem nenhuma forma declarada de filtrar insinuações, críticas e discordâncias veladas direcionadas ao poder maior.
Evidente que muitas atitudes e providências adotadas pelo Governo Federal são passíveis de críticas negativas, fato que jamais será diferente. Ao assumir o comando dessa competição, o Senado Federal também, em momento algum, escondeu o visível interesse de que, de alguma forma, daria também um recado cifrado ao STF, entidade que na visão do parlamento age com frequência contrariando as atitudes dos parlamentares.
O episódio, visto de qualquer ângulo, gerou a desagradável sensação de que, infelizmente, é patente e real a existência de profunda discordância de atitudes geradas pelos dois poderes. Tudo a lamentar, nada a comemorar. Claro que parcela da comunidade (bolsonaristas, por exemplo) comemora, esbanja euforia, acredita que desse fato nascerá uma nova república, nada será como antes.
Pelo que reza a Constituição, o Presidente da República indica ao Congresso o nome do jurista candidato ao Supremo. A casa o questiona, investiga seu saber jurídico, conduta moral e ética, avalia a credibilidade e postura. Pode até vetar sua posse, desde que haja irregularidades ou desvio de conduta.
No caso Messias o que houve foi uma atitude movida por vontades contrariadas, interesses desencontrados, consolidando e dando forma negativa a uma triste realidade que a todos nós mais afeta do que consagra.
Por mais que se esmere em busca de luz e manchetes, Alcolumbre jamais alcançará no Senado o que Ulysses Guimarães alcançou na Câmara, o que Celso de Mello e Cármen Lúcia alcançaram no Supremo ou mesmo as honrarias de outros senadores que passaram pelo cargo.
Talvez entre para a história por ter gerado um fato histórico, que em nada elevará seu currículo, uma vez que fisiologismo é apenas uma teoria, sempre em questionamento. O ingrediente político teve peso dez nessa votação, e vitimou aquele que tinha apenas a teoria como argumento de defesa. Não foi Alcolumbre que ganhou essa disputa, foi Messias que a perdeu. No jogo político, quem paga pra ver quase sempre acaba perdendo.
José Natal
Jornalista

