Limite é proteção, uma análise oportuna de quem encara a dura realidade humana, por Daniella Ezri Filizola

LIMITE É PROTEÇÃO

Dias de ontem, dias de hoje, dias difíceis. Na planilha de perguntas e respostas, uma delas talvez una todas as tribos, nos toca fundo e nos arremete a infindáveis preocupações.

Sou mãe de uma adolescente de 16 anos. Tenho 39 anos. E, talvez justamente por ainda me sentir próxima dessa fase, eu me vejo cada vez mais impactada com o que estamos vivendo.

Não se trata de dizer que antigamente tudo era melhor. Não era. Cada geração teve seus desafios. Mas existia uma diferença importante na forma como se criava.
Muitos de nós fomos criados por mães, avós, tias, vizinhos, por uma rede inteira que, de alguma forma, participava da educação. Havia presença, havia vigilância, havia limite.

Nem sempre era confortável, mas existia uma noção clara de hierarquia, respeito e consequência.

Hoje, o mundo mudou. A tecnologia entrou dentro de casa, o acesso ficou imediato, as influências se multiplicaram e os filhos passaram a viver expostos a muito mais do que a maturidade deles consegue sustentar. O problema é que, enquanto o mundo acelerou, muitos adultos recuaram.

E, nessa tentativa de não frustrar, de não contrariar, de parecer moderno ou liberal, muitos deixaram de exercer justamente o papel que mais importa: o de referência.
Liberdade sem direção não forma. Excesso de permissividade não aproxima. E ausência disfarçada de confiança não protege.

Quando vemos adolescentes envolvidos em situações cada vez mais preocupantes com álcool, exposição, violência banalizada e até eventos organizados, com adultos por trás normalizando o absurdo, o que está diante de nós não é um episódio isolado. É reflexo de uma geração que, muitas vezes, está crescendo sem contorno emocional.
E o mais preocupante não é apenas o que está acontecendo agora. É o que isso ainda pode gerar daqui para frente.

Porque, quando uma sociedade começa a tratar limite como exagero, presença como invasão e responsabilidade como rigidez, o que está em risco não é só a adolescência dos nossos filhos, é o tipo de adulto que o mundo está ajudando a construir.
Porque, quando o limite sai de casa, o risco entra pela porta. Tdz

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Walter Santos

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