Por Walter Santos
Se é certo que o Mundo anda muito preocupado com as guerras, em especial do Irã, em escala proporcional o Governo do Brasil por meio das áreas econômicas anda produzindo medidas para manter em alta a perspectiva de atração do Brasil como modelo de paz na conjuntura.
Nesta Entrevista EXCLUSIVA, o ministro do Turismo Gustavo Feliciano dá detalhes de como as estratégias atingem até o Nordeste brasileiro.
Leia:
Revista NORDESTE – O senhor tem estado em diversas agendas nacionais e internacionais tratando de turismo a partir do interesse brasileiro. O que isto representa desde sua posse, de lá para cá, na expansão de nosso segmento?
GUSTAVO FELICIANO – Desde que assumi o Ministério do Turismo, sob a liderança do presidente Lula e seguindo a sua premissa de um amplo multilateralismo do Brasil perante o mundo, nossa missão tem sido colocar o país no centro do mercado global de viagens e investimentos. Essa agenda de compromissos se reflete diretamente na expansão do nosso segmento, com avanços concretos em pilares fundamentais como a conectividade aérea e a atração de capital privado.
NORDESTE -Objetivamente, como isso se processa?
GUSTAVO FELICIANO – Para se ter ideia, até dezembro deste ano, já temos quase 70 novos voos confirmados e autorizados pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), facilitando a procura pelos destinos brasileiros. No campo dos investimentos, tive a honra de participar recentemente da inauguração do Tauá Resort João Pessoa, o primeiro empreendimento de grande porte do Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba, fruto de aportes de cerca de R$ 700 milhões do grupo hoteleiro.
É importante destacar que o Polo Cabo Branco nasceu nos anos 80, ficou estagnado por décadas e foi colocado em prática pelo Governo da Paraíba em 2019, quando, inclusive, eu era secretário de Estado de Turismo e Desenvolvimento Econômico e pude ajudar a impulsionar esse grandioso projeto. Com um investimento total previsto de R$ 2,3 bilhões e a projeção de gerar 18 mil empregos, o polo tem total apoio do Ministério do Turismo para atrair ainda mais empreendedores e é um modelo que pretendemos replicar em todo o país.
NORDESTE – Na sua opinião, como as novas guerras e/ou conflitos exigem do seu Ministério estratégias para manter o turismo brasileiro em ascensão?
GUSTAVO FELICIANO – O governo brasileiro está atento aos desdobramentos das tensões globais e pronto para adotar as medidas necessárias. E cabe ressaltar que, em um mundo marcado por incertezas, o Brasil se consolida como um porto seguro. Nossa posição de defesa pela paz mundial e o diálogo irrestrito entre os diversos povos é um ativo diplomático que se converte em vantagem competitiva, pois o viajante busca hoje, mais do que nunca, destinos que ofereçam acolhimento e experiências autênticas. O cenário de conflitos externos pode tornar o Brasil ainda mais atrativo.
Somos um país que oferece uma diversidade única no planeta, incluindo natureza, cultura, gastronomia e história. E os números mostram a manutenção da trajetória de alta do turismo brasileiro: em fevereiro, recebemos quase 1,3 milhão de estrangeiros, o segundo melhor resultado para o mês da história, consolidando o período como um dos momentos de maior fluxo de estrangeiros.
NORDESTE – Qual o reflexo de tudo na prática?
GUSTAVO FELICIANO – Nossa estratégia é continuar promovendo o Brasil como esse destino de paz e exuberância, garantindo que o mundo saiba que, aqui, a hospitalidade é o nosso maior patrimônio. O turismo é o oposto da guerra; ele aproxima culturas, e o Brasil está de braços abertos para receber cada vez mais visitantes, continuar batendo recordes e gerando desenvolvimento.
NORDESTE – Por exemplo, dispomos recentemente de um novo momento do Carnaval no Brasil a mexer e atrair milhões no futuro. Mas projetamos novas fases especiais como São João, por exemplo. Quais as projeções e/ou números que o senhor apresenta nessa direção?
GUSTAVO FELICIANO – Cabe ressaltar que o último Carnaval no Brasil, muito impulsionado, aliás, pelos tradicionais eventos da folia no Nordeste, pode ter gerado o melhor desempenho do setor aéreo nacional dos últimos 25 anos. Estimativas do Ministério de Portos e Aeroportos e da ANAC apontam que, somente de 13 a 18 de fevereiro, foram cerca de 2,1 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, uma alta projetada de 10% a 11% em relação ao Carnaval de 2025.
Mas, certamente, as festas de São João, como a da minha querida terra natal Campina Grande (PB), vêm tendo toda a nossa atenção no sentido de fomentar uma celebração típica do Nordeste brasileiro e que movimenta inúmeras atividades produtivas, desde o ambulante ao grande empreendedor do turismo. No ano passado, por exemplo, estimativas indicam que os festejos juninos movimentaram cerca de R$ 7,4 bilhões em todo o país.
NORDESTE – O que fazer para ampliar a atração turística?
GUSTAVO FELICIANO – Para ampliar a promoção dessa manifestação cultural única, fomos em março a Buenos Aires (Argentina) expor todo o colorido das celebrações de Maracanaú, Mossoró, Petrolina, Caruaru e Campina Grande. Ao som de forró, uma quadrilha junina se apresentou em frente ao Obelisco, cartão-postal argentino, uma iniciativa inédita em parceria com a Embratur e a Embaixada do Brasil. Ao divulgarmos o São João internacionalmente, valorizamos essa tradição e convidamos o mundo a viver essa experiência no Nordeste brasileiro.
NORDESTE – Até hoje o senhor não revelou: que recomendações recebeu do presidente Lula e quais propostas pretendes executar no exercício do cargo?
GUSTAVO FELICIANO – Meu trabalho no Ministério do Turismo tem como norte uma prioridade do governo do presidente Lula: a ampla geração de emprego, renda e inclusão social, por meio da democratização do acesso a viagens pelo Brasil. E minha trajetória na administração pública sempre se pautou pela ideia de que o lazer é um direito e um símbolo de justiça social, um entendimento comum ao atual governo.
Tanto que, quando tomei posse, defendi que o turismo precisa ser do povo, pelo povo e para o povo. Isso expressa claramente a nossa estratégia de proporcionar a crescente participação de toda a população no mercado turístico, contribuindo para movimentar economias locais de norte a sul do país e, consequentemente, criar oportunidades profissionais. Além disso, temos um olhar muito atento ao desenvolvimento sustentável do turismo nacional, incentivando o turismo de base comunitária, como o afroturismo, e fazendo do setor o maior aliado da conservação ambiental.
NORDESTE – O que mais adicionar na conjuntura?
GUSTAVO FELICIANO – Outro foco é a valorização feminina como uma grande potência desse mercado, onde as mulheres representam mais da metade da força de trabalho. No início de junho, por sinal, vamos promover em João Pessoa a Conferência Regional de Empoderamento Feminino para a América Latina e o Caribe, em parceria com a ONU Turismo. Esse evento vai jogar luz sobre o papel da mulher como protagonista, empreendedora e consumidora do turismo, contribuindo para o fortalecimento da presença feminina no segmento.
NORDESTE – Estrategicamente, quais são os dados e a performance do Ministério que o senhor pretende manter e/ou ampliar de agora em diante?
GUSTAVO FELICIANO – Estamos e vamos continuar atuando com muita ênfase no apoio a empreendedores turísticos para o aprimoramento dos seus negócios, o que favorece decisivamente a geração de emprego e renda. Lançamos em Salvador no início de março, por exemplo, uma ação com o objetivo de ampliar o acesso a financiamentos em condições especiais por atividades do setor de todo o país, como meios de hospedagem, restaurantes e vários outros. E tivemos, já na capital baiana, a oportunidade de realizar mais de 400 atendimentos a empresários interessados neste suporte.
O “Brasil Mais Crédito para o Turismo” é uma grande mobilização nacional voltada ao fortalecimento de pequenos e médios negócios, que têm no Fungetur (Fundo Geral de Turismo) a chance de obter capital de giro e realizar obras para aperfeiçoar as condições de bem receber visitantes nas suas atividades. O Fungetur, aliás, tem disponibilizados mais de R$ 820 milhões pelo Ministério do Turismo para a concessão de financiamentos em todo o país em 2026, garantindo um fôlego extra para avanços concretos em hotéis, pousadas, restaurantes e vários outros serviços.
NORDESTE – E a parte estrutural, física?
GUSTAVO FELICIANO – O apoio a obras turísticas também conta com grandes esforços do nosso ministério. Temos contratos que preveem repasses totais de mais de R$ 1,5 bilhão para este fim apenas na região Nordeste, proporcionando melhorias no acesso a atrativos, a reforma de orlas, a construção de centros de eventos e diversas melhorias do tipo. Ainda em 2025, é oportuno lembrar, Campina Grande ganhou um novo Centro de Convenções, fruto de um investimento de quase R$ 50 milhões do Ministério do Turismo na primeira etapa dos trabalhos, o que permite impulsionar consideravelmente o turismo de negócios na região.
NORDESTE – Os números apontam que o turismo brasileiro tem crescido ultimamente, já superando a quantia de mais de 8 milhões de turistas no País. Qual a ambição de sua gestão para o ano de 2026?
GUSTAVO FELICIANO – Em 2025, o Brasil não apenas superou os 8 milhões de visitantes, como encerrou o ano com um recorde de quase 9,3 milhões de turistas internacionais recebidos. Esse desempenho histórico, aliás, foi validado pela própria ONU Turismo, que apontou o Brasil como o líder de crescimento no setor entre os principais destinos globais, com um índice de impressionantes 37%.
Nosso objetivo para 2026 é consolidar definitivamente a ascensão do turismo brasileiro, tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico, por meio de uma gestão estratégica e integrada. No mercado interno, nosso foco permanece em incentivar o brasileiro a descobrir cada vez mais as riquezas do próprio país, o que já vem rendendo ótimos resultados.
Logo no primeiro bimestre de 2026, voos domésticos transportaram cerca de 17,2 milhões de viajantes pelo Brasil, o melhor número já registrado no período. Esse volume representa um crescimento de quase 9% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando a movimentação foi de 15,8 milhões de passageiros, demonstrando que o hábito de viajar internamente está mais vivo do que nunca na nossa economia. Esse esforço se estende com a mesma intensidade ao mercado externo.
Estamos ampliando nossa participação nos grandes eventos globais para reforçar a nova imagem do Brasil no exterior: a de um país agora profundamente comprometido com a sustentabilidade ambiental, econômica e social. Essa postura ajuda a explicar conquistas fundamentais recentes, como a decisão da ONU Turismo de instalar, no Rio de Janeiro, o seu primeiro escritório regional para as Américas e o Caribe. Atualmente, presidindo o Conselho Executivo da entidade, o Brasil se posiciona no centro da definição os rumos globais do setor, garantindo que a nossa região tenha voz ativa na construção do turismo do futuro.
NORDESTE – As estatísticas revelam que os 9 estados nordestinos têm sido buscados por turistas do Sudeste, Centro-Oeste e, em especial, de estrangeiros. Que estratégia o senhor pretende adotar/ampliar com a Embratur para atrair mais usuários do turismo?
GUSTAVO FELICIANO – Além da nossa constante presença nos principais eventos turísticos organizados no exterior – como na BTL Lisboa deste ano, onde o Brasil foi o Destino Internacional Convidado da feira e apresentou toda a sua diversidade de atrativos ao público português e europeu –, estamos desenvolvendo ações previstas no Plano Brasis, o novo Plano Internacional de Marketing Turístico do nosso país, lançado em 2025. A estratégia central do Ministério do Turismo e da Embratur é transformar a nossa imensa diversidade natural, cultural e toda a nossa brasilidade singular em vantagem competitiva.
O plano foca nichos específicos, conforme o perfil de cada país emissor. Em vez de competir com locais como o Caribe só por praias, o Brasil oferece afroturismo, turismo LGBTQIA+, gastronomia e inúmeros outros atrativos. O plano posiciona o país não apenas como um destino de natureza, mas também líder em sustentabilidade, atendendo à crescente demanda por locais com baixo impacto ambiental e responsabilidade social.
O plano segue o conceito de um Brasil único, mas muito além de um só, criando uma nova identidade visual e narrativa. No Plano Brasis, no que se refere ao Nordeste, a abordagem passa a ser focada em inteligência de dados e na diversidade de experiências que vão muito além do sol e praia tradicional, como cultura, história, natureza e aventura, entre várias outras. O Plano Brasis não vende apenas uma foto de praia, ele vende o Nordeste como um conjunto de experiências inesquecíveis. Estamos transformando o potencial da nossa região em negócios reais que geram emprego na ponta, do artesão de rendas à grande rede hoteleira.
NORDESTE – Uma reclamação permanente na conjuntura diz respeito ao custo das passagens aéreas no país, mesmo com aviões superlotados, bem como da oferta de voos regionais em quantidade aquém para atender o público consumidor. Como o senhor pretende encarar e resolver esses problemas?
GUSTAVO FELICIANO – A resposta para esse desafio, conforme a diretriz do governo Lula, passa pelo aumento da conectividade aérea e pelo estímulo à competitividade no setor. Por isso, buscamos atrair novas companhias aéreas e a abertura de novas rotas. Ao democratizarmos o acesso ao transporte aéreo e aumentarmos a frequência de voos, vamos poder contribuir para equilibrar a balança entre a alta demanda que observamos atualmente – que é um ótimo sinal, diga-se – e uma oferta que seja justa, acessível e abrangente para todos os brasileiros.
O trabalho de ampliação da conectividade aérea envolve também articulações bilaterais com diversos países de regiões estratégicas do turismo global, negociações estas calcadas, novamente, no irrestrito multilateralismo defendido pelo presidente Lula. No último mês de março, assinamos um novo plano de ação em turismo com o Governo da África do Sul, que prevê, entre outros pontos, cooperação para aumentar a ligação aérea entre os dois países e facilitar o fluxo de visitantes entre os nossos povos.
NORDESTE – O que deve-se fazer a mais na conjuntura?
GUSTAVO FELICIANO – Um dos objetivos dessa nossa parceria é estabelecer o Brasil como um hub aeronáutico na América do Sul para voos provenientes da África do Sul, enquanto Joanesburgo atuaria como um hub regional no continente africano para voos com origem no Brasil. Também há conversas adiantadas com nações como a China, cujas autoridades da área de turismo já manifestaram interesse em ampliar a ligação aérea com o Brasil.
NORDESTE – Na sua análise e projeção, como contribuir para a melhoria das estruturas aeroportuárias das médias cidades visando ampliar os resultados do turismo interno?
GUSTAVO FELICIANO – O Governo Lula tem adotado ações estratégicas para fortalecer a aviação regional em cidades médias, tendo o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como um dos principais motores de transformação. O setor aeroportuário é um dos pilares centrais desse programa, com investimentos robustos previstos para a reforma, a ampliação e a modernização de dezenas de aeroportos regionais em todo o território nacional. Essas obras são essenciais para permitir que aeroportos de cidades médias recebam aeronaves maiores, o que aumenta significativamente a oferta de transporte aéreo.
Como eu disse anteriormente, a meta de conquistar novos voos passa pela integração dessas cidades ao mapa aéreo brasileiro. E o Ministério do Turismo atua na articulação com empresas aéreas para que novos voos internacionais cheguem, por exemplo, às capitais do Nordeste, portas de entrada para conexões que levam diretamente ao interior. O objetivo é garantir que o turista brasileiro tenha a liberdade e a facilidade de sair de uma cidade média em Minas Gerais e chegar a uma cidade média na Bahia, transformando o transporte aéreo em um real indutor real de desenvolvimento econômico e social regional.
NORDESTE – exemplifique?
GUSTAVO FELICIANO – Um exemplo concreto disso ocorreu agora no final de março, quando eu pude estar presente na inauguração do Aeroporto Regional de Patos, na Paraíba. Esse terminal é fruto de um investimento de R$ 40 milhões e consolida a cidade como um importante polo de negócios e turismo no Sertão.

NORDESTE – O senhor chega ao governo por indicação do União Brasil, chancelada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. Como isso, na sua opinião, contribui para um clima de melhor entendimento político entre Legislativo e Executivo?
GUSTAVO FELICIANO – Primeiramente, fiquei profundamente honrado com o convite do presidente Lula para assumir o Ministério do Turismo e agradeço pela confiança dele e do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, para conduzir uma pasta tão vital para a economia e a inclusão social no Brasil. O ponto central da minha gestão, em parceria direta com o Congresso Nacional, deputados e senadores, é reforçar o pacto federativo.
Nosso trabalho vai ajudar a estreitar a parceria com estados e municípios, que é onde o turismo acontece de fato. Além de proporcionar a realização de centenas de obras de infraestrutura turística fundamentais ao desenvolvimento do setor em todo o país, o trabalho conjunto com os parlamentares nos permite avançar em legislações que fortalecem o crescimento sustentável do turismo, como foi o caso da nova Lei Geral do Turismo, sancionada em 2024 pelo presidente Lula.
O importante é que a união de forças entre o Governo do Brasil e o Parlamento resulte em um país ainda mais preparado para competir no cenário global, ampliando a geração de empregos e pronto para se consolidar como uma potência turística mundial.
NORDESTE – O estado natal do senhor, a Paraíba, vive um momento diferenciado e promissor no turismo, em especial João Pessoa. Que políticas de reforço o senhor pretende adotar no exercício do Ministério levando em conta, por exemplo, a implantação do hotel Vila Galé no Centro Histórico?
GUSTAVO FELICIANO – Minha gestão tem como prioridade potencializar esses avanços do Estado por meio de políticas de desenvolvimento que unem infraestrutura e atração de investimentos privados de grande porte. Um marco dessa estratégia é exatamente a implantação do hotel Vila Galé no Centro Histórico de João Pessoa.
O Ministério do Turismo inclusive esteve presente na formalização dessa parceria entre o governador João Azevêdo e a rede hoteleira portuguesa, que investirá cerca de R$ 80 milhões no empreendimento. Além desse investimento na revitalização do nosso patrimônio histórico paraibano, mantenho uma parceria muito sólida com o governador João Azevêdo para impulsionar o Polo Turístico Cabo Branco. Esse projeto ainda possui um longo e promissor caminho pela frente e conta com o apoio incondicional do Ministério do Turismo para se consolidar como o maior complexo turístico planejado do Nordeste.
NORDESTE – Quais os números do ministério?
GUSTAVO FELICIANO – É importante frisar que, atualmente, o Ministério do Turismo possui contratos de repasse que somam mais de R$ 160 milhões destinados a obras de infraestrutura turística na Paraíba. Um deles envolve quase R$ 30 milhões para a pavimentação e a construção dainfraestrutura de acesso às orlas do Sol, Barra de Gramame e do Bessa, em João Pessoa. Essas intervenções são cruciais, pois elas não apenas aprimoram a experiência do turista, mas tam bém elevam a qualidade de vida e a mobilidade dos moradores da capital.
NORDESTE – Como o senhor tem estartado a agenda com a presença física nos estados e levando que mensagens e/ou políticas voltadas ao Turismo?
GUSTAVO FELICIANO – Além do nosso intenso trabalho em Brasília, a minha agenda à frente do Ministério do Turismo é também pautada pela presença em estados, municípios e pelo diálogo permanente e direto com seus representantes, pois acredito que as políticas públicas só são realmente efetivas quando tocam o chão de cada destino e entendem as particularidades regionais.
Tenho percorrido o Brasil com uma mensagem muito clara: o Governo do Brasil é um parceiro estratégico e facilitador de quem produz e empreende. Um exemplo concreto disso foi o próprio lançamento do “Brasil Mais Crédito para o Turismo” em Salvador, um dos nossos maiores destinos turísticos. Escolher a capital baiana para esse lançamento foi um gesto para amplificar a mensagem de que estamos à disposição de todos os empreendedores – do pequeno ao grande empresário – quequeiram apostar no setor como um motor de desenvolvimento, oferecendo financiamentos em condições especiais para que possam expandir seus negócios e, consequentemente, gerar mais emprego e renda em suas comunidades.
Outro exemplo dessa integração é a realização do Salão do Turismo deste ano em Fortaleza. Transformar a capital cearense no palco da maior feira de turismo do Brasil é uma forma de valorizar o Nordeste e, ao mesmo tempo, criar uma vitrine de excelência para que as cinco regiões do país mostrem suas inúmeras opções de destinos, atrativos e experiências únicas. Ao levar o Ministério para os estados, reforçamos que o turismo é feito em cada aeroporto, hotel, restaurante e atrativo espalhado por este país continental.
NORDESTE – Como objetivo de futuro, que saldo o senhor pretende deixar ao concluir sua gestão no Ministério?

GUSTAVO FELICIANO – Minha visão de legado vai muito além das estatísticas. Ao concluir nosso trabalho, queremos que o turismo seja reconhecido não apenas como um item de lazer ou consumo, mas como um instrumento crucial de justiça social e de desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo. O setor já demonstrou sua força ao encerrar 2025 com um estoque histórico de quase 2,4 milhões de empregos formais, o que representava, à época, cerca de 5% de todas as ocupações com carteira assinada no país. Esse dado, que representa um aumento de 3,5% em relação a 2024, é a prova de que cada novo turista que recebemos significa comida na mesa e dignidade para milhares de famílias brasileiras, do guia de turismo ao proprietário da pequena pousada.
Nossa missão será plenamente cumprida quando, ao final deste ciclo, pudermos observar um Brasil onde viajar seja uma realidade acessível a mais brasileiros e onde o turista estrangeiro escolha nossos destinos por nossas belezas naturais, culturais e, também, pela nossa organização e compromisso inegociável com a sustentabilidade. Para isso, estamos pavimentando esse caminho com uma forte estruturação do nosso setor, focada na captação de investimentos nacionais e internacionais que convertam os imensos potenciais brasileiros em prosperidade palpável para toda a população. Vamos consolidar o Ministério do Turismo como um verdadeiro indutor da economia verde e da inclusão, onde o maior indicador de sucesso não seja apenas uma planilha de receitas, mas a felicidade do nosso povo, convertida em PIB, orgulho nacional e profunda justiça social.
*Entrevista publicada na edição 231 da REVISTA NORDESTE

