Brasil sem governança limita desenvolvimento, por José Natal

Duas ou três coisas que o mundo empresarial brasileiro não se cansa de repetir, ano após ano, estão relacionadas à ausência de mecanismos estruturados de avaliação e monitoramento por parte de responsáveis pelo desenvolvimento do País.

A avaliação, robusta de conhecimento técnico e experiência no setor, é do Ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, historicamente um veterano insistente na defesa do mecanismo da governança como ferramenta mais eficiente quando objetivo é a boa gestão.

Na Capital da República, durante a sexta reunião do Brasília Summit, enfático, Nardes disse aos participantes que não vê esperança na Nação brasileira sem uma governança que estabeleça estratégias de funcionamento do País.

No evento, prestigiado pela elite do empresariado de vários estados, e também pela governadora Celina Leão, o titular do TCU insistiu na tese de que ” a governança é o principal desafio nacional”. Sem rodeios e confiante, frisou também que “iniciativas isoladas de eficiência não se sustentam sem um sistema robusto que envolva gestão de pessoas, tecnologia da informação, compras públicas e avaliação de riscos”.

Com ênfase peculiar, o Ministro relembrou também, que em 2015 apenas três ministérios brasileiros possuíam instrumentos básicos de avaliação de risco. Motivando aplausos, sentenciou: “o Brasil é o País da improvisação, onde realizam-se projetos de eleição e não projetos de Estado”.

Em ano de eleição, com a dinâmica da busca de votos que começa a ser semeada Brasil afora, o encontro seleto e grandioso no DF, como era de se esperar, registrou também sutis “cutucadas” políticas, sem perder o decoro, acolhendo com nível elevado inúmeras outras colocações coerentes com o momento atual que atravessamos.

O empresário João Dória, que governou São Paulo de 01 de janeiro de 2019 a 01 de abril de 2022, que preside o LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), comandou a reunião, que de 8 da manhã ao meio dia ouviu também líderes de segmentos de múltiplas atividades, todos eles voltados a boa gestão e as reais dificuldades que muitos ainda enfrentam para superar burocracias administrativas e meios ainda obsoletos diante da atual modernidade digital.

Temas atuais, em destaque na mídia, como por exemplo o caso ” Master-BRB (Operação Compliance Zero) e os embates entre Estados Unidos e Irã, que afetam o abastecimento de petróleo a alguns países, também foram abordados pelos oradores convidados.

Presente a reunião, Nelson de Souza, Presidente do BRB, em curto pronunciamento, defendeu a instituição, garantindo sua recuperação e continuidade no atendimento à população de Brasília. Bom lembrar que a reunião em Brasília aconteceu na quarta-feira (15 de abril), antes da prisão do ex-presidente do Banco, Paulo Henrique Costa, no DF.

Também sobre o caso, falando em tom de lamento, a Governadora da cidade, Celina Leão, disse que o Governo Federal não demonstrou interesse em recuperar o BRB, citando que por mais de uma vez, o assunto chegou às autoridades, que de alguma forma poderiam ajudar, mas isso não aconteceu. Celina, que assumiu o cargo após a saída de Ibaneis Rocha, que vai se candidatar ao Senado Federal, ainda na reunião, registrou frustração por dificuldades que enfrenta com migalhas que o GDF recebe do Fundo Constitucional do DF (Lei 10.633/2002), verba normalmente destinada às forças de segurança (Policia Militar, Policia Civil e Corpo de Bombeiros) e também a educação.

Também em defesa de Brasília, que no próximo dia 21 comemora seus 66 anos de vida, o Presidente da LIDE local, Paulo Octávio, ressaltou os avanços da cidade nos últimos anos, para ele a melhor capital brasileira para se viver e trabalhar.

O empresário Paulo Octávio comemorou 50 anos de atividades na Capital Federal, no último mês de março, no ramo da construção civil, hotelaria e comunicação.

O tema gestão pública, e investimentos em vários setores da economia brasileira, estará na pauta da próxima reunião da LIDE Brazil Investment Forum, que será realizada em Nova York, no próximo 13 de maio, nos Estados Unidos. E por lá também, uma vez mais, a governança será debatida, com ênfase.

José Natal
Jornalista

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