*Por Paulo Galvão Júnior, coluna Papo de Economia
As projeções econômicas do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgadas no relatório World Economic Outlook, de abril de 2026, indicam um cenário global de crescimento moderado, porém marcado por elevada incerteza geopolítica.
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial foi estimado em 3,1% para 2026, abaixo do desempenho econômico de 2025 (3,4%), refletindo a intensificação das tensões internacionais, choques energéticos e maior volatilidade nos mercados financeiros globais. Adicionalmente, observa-se um ambiente de condições financeiras mais restritivas, caracterizado por taxas de juros elevadas em diversas economias emergentes, como Turquia, Argentina, Rússia e Brasil.
Dentro desse contexto internacional, os países integrantes do Grupo dos Vinte (G20) apresentam trajetórias heterogêneas. Destacam-se as economias emergentes, especialmente asiáticas, como Índia e China, que continuam liderando o crescimento do PIB do G20, enquanto economias avançadas enfrentam um processo de desaceleração econômica, como Itália e Japão. Essa divergência reforça a crescente assimetria no dinamismo econômico global.

A partir da tabela do FMI (acima), é possível organizar um quadro com ranking de 14 das 19 economias do G20, baseado no crescimento projetado do PIB real para 2026, em um cenário marcado pela Guerra na Ucrânia, pelos conflitos militares no Oriente Médio e pelos impactos crescentes das mudanças climáticas:
| Quadro 1: Ranking das projeções de crescimento do PIB real do G20 para 2026 | ||
| Posição | País | Projeção de Crescimento
do PIB real para 2026 (%) |
| 1º | Índia | 6,5 |
| 2º | China | 4,4 |
| 3º | Arábia Saudita | 3,1 |
| 4º | Estados Unidos | 2,3 |
| 5º | Brasil | 1,9 |
| 6º | México | 1,6 |
| 7º | Canadá | 1,5 |
| 8º | Rússia | 1,1 |
| 9º | África do Sul | 1,0 |
| 10º | França | 0,9 |
| 11º | Reino Unido | 0,8 |
| 12º | Alemanha | 0,8 |
| 13º | Japão | 0,7 |
| 14º | Itália | 0,5 |
| Fonte: FMI. | ||
Em primeiro lugar, cabe destacar que, na tabela amplamente divulgada pelo FMI, não são apresentadas as projeções para cinco países-membros do G20, como Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia e Turquia. Por outro lado, o FMI divulga estimativas para economias não integrantes do grupo econômico criado em setembro de 1999, como Espanha (2,1%) e Nigéria (4,1%), evidenciando o caráter abrangente de sua análise global.
Em segundo lugar, a liderança da Índia (6,5%) confirma sua posição como principal motor de crescimento do G20, sustentada por forte demanda interna, dinamismo nas exportações e elevados investimentos em infraestrutura e tecnologia da informação (TI). Já a China (4,4%) mantém crescimento do PIB, porém em trajetória de desaceleração econômica, refletindo fragilidades no setor imobiliário, tensões geopolíticas e os desdobramentos da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos.
Em terceiro lugar, entre as economias emergentes, observa-se significativa heterogeneidade. A Arábia Saudita (3,1%) é influenciada pela volatilidade dos preços do petróleo e do gás natural, em meio a tensões geopolíticas. O Brasil (1,9%) apresenta crescimento baixo, condicionado por taxas de juros elevadas que restringem o consumo das famílias e os investimentos das empresas. A Rússia (1,1%) mantém crescimento apoiado nas exportações energéticas, apesar das sanções econômicas decorrentes do Guerra na Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022. Destacam-se ainda as projeções de 1,6% para o México e de 1,0% para a África do Sul.
Em quarto lugar, no grupo das economias avançadas, destacam-se os Estados Unidos (2,3%), com desempenho relativamente superior, impulsionado por investimentos em inovação tecnológica. Em contraste, a Zona do Euro apresenta crescimento limitado, especialmente em países como França (0,9%), Alemanha (0,8%) e Itália (0,5%). Já o Japão (0,7%) segue impactado por desafios demográficos e estruturais.
Destacam-se também as projeções de baixo crescimento para o Canadá (1,5%) e o Reino Unido (0,8%). Todavia, tais estimativas devem ser interpretadas com cautela, diante dos potenciais efeitos adversos associados ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de escoamento global de petróleo, gás natural liquefeito (GNL), fertilizantes e alumínio.
De forma geral, o FMI ressalta que o crescimento global projetado para 2026 está condicionado a riscos relevantes, especialmente aqueles associados aos conflitos no Oriente Médio e à elevação dos preços do petróleo e seus derivados, como gasolina, diesel, querosene de aviação (QAV), gás liquefeito de petróleo (GLP) e nafta, fatores que podem intensificar pressões inflacionárias e reduzir o ritmo de expansão econômica global.
Além disso, o cenário internacional evidencia que o crescimento econômico está cada vez mais condicionado por fatores geopolíticos, energéticos, tecnológicos e climáticos. A instabilidade global, particularmente no Oriente Médio, reforça a vulnerabilidade das projeções e indica que o desempenho econômico poderá ficar abaixo do esperado pelo FMI, um organismo financeiro internacional fundado em 1945, com sede em Washington, desde 1973, e atualmente liderado pela diretora-geral, a economista búlgara Kristalina Georgieva.
Nesse contexto de possível estagflação global decorrente de choques de oferta no setor energético, especialmente associados ao petróleo, o principal desafio para os países-membros do G20 será equilibrar políticas macroeconômicas, assegurar a segurança energética e estimular a inovação tecnológica, de modo a sustentar o crescimento econômico em um ambiente global cada vez mais incerto, complexo e instável.
(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, membro do Instituto de Inteligência Econômica (IIE) em São Paulo, integrante do Grupo de Reforma Tributária da Paraíba (GRT-PB) em João Pessoa, apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência na capital paraibana, escritor, palestrante e colunista do Portal North News (Toronto), da SAM Consultoria (São Paulo), do Portal Valentina (João Pessoa), do NotíciaExtra.com (João Pessoa) e da Revista Nordeste (João Pessoa). WhatsApp para palestras e entrevistas: +55 (83) 92000-4420.

