O Nordeste continua sendo o principal reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a disputa presidencial chega às urnas deste domingo marcada por uma diferença muito menor no cenário nacional.
O último Datafolha antes do primeiro turno, divulgado neste sábado (3) mostra Lula com 42% das intenções de voto, contra 40% de Flávio Bolsonaro (PL). Nos votos válidos, o placar é de 45% a 42%, configurando empate técnico.
É no mapa regional, porém, que aparece uma das maiores diferenças da eleição. No Nordeste, Lula registra 59% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro, segundo o levantamento realizado nos dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro para a região é de três pontos percentuais.
O resultado reforça a importância do Nordeste para a campanha petista. Ao mesmo tempo, os números mostram que o cenário nacional se tornou mais competitivo.
No levantamento anterior, Lula tinha 56% no Nordeste e Flávio, 26%. Na rodada mais recente, os dois candidatos cresceram na região, mas Lula ampliou sua vantagem de 30 para 31 pontos.
A força regional de Lula contrasta com o desempenho de Flávio em outras partes do país. No Sul, o candidato do PL aparece com 51%, contra 30% de Lula. No Sudeste, principal colégio eleitoral brasileiro, Flávio tem 42% e Lula, 38%, empate técnico dentro da margem de erro. Já no agrupamento formado por Norte e Centro-Oeste, Flávio tem 42%, contra 37% de Lula.
O peso do Nordeste também pode ser observado pelo tamanho do eleitorado. A região reúne cerca de 43,5 milhões de eleitores, o equivalente a 27,42% do eleitorado brasileiro. É o segundo maior contingente regional, atrás apenas do Sudeste.
Um Nordeste ainda decisivo
O resultado do Datafolha mostra, portanto, dois movimentos simultâneos: Lula preserva uma vantagem expressiva no Nordeste, enquanto Flávio avança em segmentos e regiões importantes do eleitorado nacional.
No segundo turno, a disputa aparece ainda mais apertada. O Datafolha registra 47% para Lula e 46% para Flávio Bolsonaro, novamente em empate técnico.
E é nesse cenário que o desempenho nordestino ganha importância. A região não decide sozinha uma eleição nacional, mas sua dimensão eleitoral e a vantagem de Lula sobre o adversário fazem do Nordeste um dos principais pontos de sustentação da candidatura petista.
Disputa pelos governos também chama atenção
Nos nove estados nordestinos, a eleição para governador também chega ao dia da votação com cenários distintos.
Em Alagoas, Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB) aparecem tecnicamente empatados: 43% a 42% nas intenções de voto, respectivamente. Considerados apenas os votos válidos, Renan tem 50% e JHC, 49%.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) chega à votação com 52% dos votos válidos, contra 48% de ACM Neto (União Brasil). No Ceará, a diferença é ainda menor: Elmano de Freitas (PT) tem 50% dos votos válidos, contra 49% de Ciro Gomes (PSDB), configurando empate técnico.
O cenário é mais confortável para os candidatos que lideram no Maranhão, Paraíba e Piauí. Eduardo Braide (PSD) aparece com 52% dos votos válidos no Maranhão, contra 35% de Orleans Brandão (MDB). Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP) chega a 61%, enquanto Efraim Filho (PL) tem 23%. No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) alcança 67% dos votos válidos, diante de 28% de Joel Rodrigues (PP).
Em Pernambuco, a eleição é uma das mais disputadas do país. A pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação aponta Raquel Lyra (PSD) com 49% dos votos válidos e João Campos (PSB) com 48%, um empate técnico dentro da margem de erro. O levantamento ouviu 1.650 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro.
No Rio Grande do Norte, a disputa reúne três candidatos em situação mais próxima. Allyson Bezerra (União Brasil) tem 37% dos votos válidos, seguido por Cadu de Lula (PT), com 32%, e Álvaro Dias (PL), com 29%.
Já em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) aparece na frente, com 55% dos votos válidos, contra 44% de Valmir de Francisquinho (Republicanos).
O mapa mostra, portanto, um Nordeste dividido entre eleições com possibilidade de definição já neste domingo e outras que podem exigir um segundo turno.

