Reconhecimento destaca pesquisas desenvolvidas em hospital público e três trabalhos ligados a técnica inovadora para tratamento do câncer de próstata
A ciência produzida dentro de um hospital público ganhou destaque no 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ). Dos seis principais prêmios do congresso, quatro ficaram com pesquisadores da Urologia — entre eles o Prêmio Pedro Ernesto, a principal premiação do evento.
O resultado chama ainda mais atenção porque três dessas quatro conquistas estão relacionadas à AORP (Prostatovesiculectomia Retropúbica Anatômica Anterógrada), técnica cirúrgica desenvolvida no próprio HUPE para o tratamento do câncer de próstata.
Idealizada em 2015 pelo urologista e pesquisador Fabrício Borges Carrerette, a AORP vem sendo aperfeiçoada há 11 anos. A proposta é utilizar, na cirurgia aberta, princípios e conceitos empregados na cirurgia robótica, criando uma alternativa para hospitais e pacientes que não têm acesso aos equipamentos robóticos, de custo elevado.
“Esse reconhecimento é resultado de 11 anos de trabalho, pesquisa e, principalmente, de uma equipe que nunca deixou de acreditar. A AORP não nasceu pronta. Foi construída com estudo, rigor científico, pesquisa clínica e muito trabalho dentro de um hospital público”, afirma Carrerette.
A pesquisa seguiu todas as etapas exigidas para um estudo clínico, com aprovação ética pela Plataforma Brasil e registro no ClinicalTrials.gov. Agora, o desafio é ampliar o conhecimento sobre a técnica e formar profissionais capazes de reproduzi-la em outros centros.
Para o pesquisador, o significado da premiação vai além dos troféus. “Tenho um orgulho enorme de toda a equipe. São médicos, pesquisadores, residentes, enfermeiros, estudantes de medicina, profissionais de diferentes áreas e tantos outros que participaram dessa trajetória. Esse prêmio pertence a todos eles e mostra que é possível fazer ciência de excelência, inovação e impacto internacional dentro de uma universidade pública e a serviço do SUS.”
A equipe também trabalha para disseminar a técnica por meio do PAI (Prostate Access Initiative), iniciativa criada para ampliar a capacitação de profissionais e o acesso à cirurgia.
“Se uma pesquisa desenvolvida no HUPE pode transformar conhecimento científico em uma possibilidade concreta de tratamento para quem não tem acesso à tecnologia mais cara, então estamos cumprindo a função maior da universidade pública: produzir conhecimento e fazer com que ele chegue à sociedade”, conclui Carrerette.

