Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam tecnicamente empatados à última rodada antes do primeiro turno da eleição presidencial da pesquisa Meio/Ideia. Pela primeira vez nos nove meses da série histórica do levantamento, os dois aparecem dentro da margem de erro em três indicadores centrais da disputa: intenção de voto espontânea, estimulada e rejeição.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Lula aparece com 30,7% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro. No cenário estimulado, com a apresentação dos candidatos registrados, a distância cai para 1,1 ponto: Lula tem 38,4%, e Flávio, 37,3%. Os dois também estão tecnicamente empatados na rejeição espontânea. Lula é citado por 46,6% dos entrevistados como um candidato em quem não votariam de jeito nenhum, enquanto Flávio registra 45,7%.
“Na prática, o eleitor está dizendo que só quer um dos dois na mesma medida em que não quer o outro de forma alguma”, analisa Flávia Tavares, editora-chefe do Meio. Veja a pesquisa na íntegra aqui. O levantamento foi realizado entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro informada pela pesquisa é de dois pontos percentuais.
Cenário de outros candidatos
Os demais candidatos brigam por um lugar ao sol. Augusto Cury, do Avante, aparece em terceiro, com 6,6% das intenções de voto e descolado de Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 4%. Igualmente empatados, mas com 1,5%, vêm Romeu Zema (Novo) e Pablo Marçal (PRTB), mas a candidatura deste ainda depende de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os demais candidatos não atingiram um ponto percentual.
Segundo turno
Lula e FlávioBolsonaro aparecem numericamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno, com 46% das intenções de voto para cada um, segundo a pesquisa Meio/Ideia. Outros 3,5% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo, enquanto 4,5% não souberam responder. O levantamento também simulou outros quatro confrontos de segundo turno. Lula registra 46% em todos eles. Ronaldo Caiado aparece com 42%, Augusto Cury com 40,9%, Renan Santos com 40,3% e Romeu Zema com 38%.
Crise no STF
A pesquisa também revelou um elevado grau de desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive entre eleitores de diferentes campos políticos. Diante da afirmação de que “os ministros do Supremo Tribunal Federal decidem mais por interesse próprio do que pela lei”, 51,6% disseram concordar, enquanto apenas 10,9% discordaram.
Outros 23,9% afirmaram não concordar nem discordar. A percepção é semelhante entre eleitores de Lula e de Jair Bolsonaro em 2022. Entre os que votaram em Bolsonaro, 53,3% concordam com a afirmação. Entre os eleitores de Lula, são 50,8%.
Sobre a desconfiança em relação ao STF, Cila Schulman e Maurício Moura, respectivamente CEO e fundador do Ideia, lembram que o peso da corte na política não é uma novidade.
“Vem desde o Mensalão, passando pela Lava Jato, pelo impeachment, pela pandemia, pelo 8 de janeiro, pelo inquérito das fake news e pelas prisões de dois ex-presidentes, Lula e Jair Bolsonaro”, pontuam. O eleitor, porém, pode desconfiar da instituição, mas continuar votando por renda, saúde, segurança ou simplesmente por rejeitar o outro candidato.

