Iniciativa da CTG Brasil e do SENAI-PE desenvolveu soluções para conectar produção, monitoramento e futuros consumidores de H₂V
O SENAI Park, no Complexo Industrial Portuário de Suape, concluiu o projeto Distrito Industrial Verde, iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltada à cadeia do hidrogênio verde (H₂V) e à descarbonização industrial.
Desenvolvido pela CTG Brasil (China Three Gorges Brasil) em parceria com o SENAI Pernambuco, o projeto recebeu aproximadamente R$ 9,8 milhões, no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Também participaram o SENAI Rio Grande do Norte, o Complexo Industrial Portuário de Suape, a Sinapsis Inovação em Energia, a Way2 Tecnologia e a EIDEE Design.
A iniciativa estruturou uma arquitetura tecnológica que reúne quatro frentes: a demanda por descarbonização do complexo industrial; a identificação de áreas adequadas à produção de hidrogênio verde; o monitoramento e a rastreabilidade da produção; e mecanismos digitais para uma futura comercialização.
No desenvolvimento tecnológico, foram utilizadas ferramentas como sensores, telemetria, processamento de dados, Data Lake e blockchain. A arquitetura foi validada em ambiente relevante no SENAI Park, utilizando a estrutura de produção de hidrogênio instalada no local.
Para Fernanda Martins, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da CTG Brasil, o projeto ultrapassa a etapa de desenvolvimento tecnológico.
“Projetos voltados ao hidrogênio verde e à descarbonização industrial fazem parte da estratégia de inovação da CTG Brasil, pois contribuem para a construção de um sistema elétrico mais sustentável, eficiente e preparado para os desafios da transição energética.”
Segundo ela, a iniciativa permitiu gerar conhecimento, validar novos modelos de negócio e criar bases tecnológicas para a expansão da economia de baixo carbono no país, além de reforçar o potencial de Pernambuco e de Suape no desenvolvimento dessa nova cadeia energética.
Do lado do SENAI, o gerente de Inovação e Tecnologia da instituição em Pernambuco, Ricardo Brazileiro, destacou a preocupação com a conexão entre quem produz e quem poderá utilizar o combustível.
“A descarbonização é inegociável para o SENAI Pernambuco. Nesse projeto a gente cria um espaço tanto para a rastreabilidade da produção do hidrogênio verde, como também chegar aos níveis de comercialização. Ou seja, como conectar produtores e interessados em consumir hidrogênio de baixo carbono.”
Apesar dos avanços, o projeto não teve como objetivo implantar um mercado comercial de H₂V nem emitir uma certificação oficial do produto. A definição dos mecanismos de certificação e das integrações regulatórias ainda depende da evolução institucional do mercado.
O resultado está menos na produção comercial imediata de hidrogênio e mais na criação de uma infraestrutura tecnológica capaz de testar soluções para uma cadeia que ainda está em formação.
Entre os resultados estão ferramentas de inteligência territorial, monitoramento, rastreabilidade, mecanismos digitais de apoio à certificação e protótipos de comercialização.

