Washington prepara alerta a 35 países de que adesão à iniciativa chinesa de cooperação em IA poderá significar exclusão de coalizão liderada pelos Estados Unidos
247 – Os Estados Unidos planejam pressionar dezenas de países a escolher um lado na crescente disputa global pela inteligência artificial. O governo norte-americano prepara uma carta destinada aos 35 signatários de uma declaração de cooperação tecnológica para advertir que países que também aderirem à iniciativa chinesa de inteligência artificial poderão ser excluídos da coalizão liderada por Washington.
A informação é da agência Reuters. A iniciativa norte-americana explicita o aprofundamento da competição estratégica entre Estados Unidos e China pelo controle das tecnologias, infraestruturas e cadeias de suprimentos que deverão sustentar a economia mundial nas próximas décadas. A disputa envolve desde minerais críticos e semicondutores até data centers e os modelos avançados de inteligência artificial.
Segundo a Reuters, a mensagem que Washington pretende transmitir aos parceiros é que não seria possível participar simultaneamente de iniciativas consideradas concorrentes. Embora o documento não mencione explicitamente a China, o alvo da advertência é a nova estrutura internacional de cooperação em inteligência artificial anunciada por Pequim.
A movimentação ocorre justamente quando modelos chineses avançam no mercado internacional e desafiam sistemas desenvolvidos por empresas norte-americanas, entre elas OpenAI e Anthropic.
Washington quer que países façam uma escolha.
A carta preparada pelo governo dos Estados Unidos procura estabelecer uma linha divisória mais clara entre os dois grandes ecossistemas tecnológicos em formação.
Segundo uma autoridade citada anonimamente pela Reuters, a avaliação norte-americana é de que um país não pode participar de todas as iniciativas simultaneamente e, ao mesmo tempo, ser considerado um parceiro plenamente confiável em áreas tecnológicas estratégicas.
A lógica de Washington é que inteligência artificial, semicondutores e minerais críticos deixaram de ser tratados apenas como setores econômicos.
Essas tecnologias passaram a ser consideradas ativos de segurança nacional.
Sistemas avançados de IA podem ser empregados tanto em atividades civis quanto militares, enquanto semicondutores de última geração são indispensáveis para data centers, sistemas de defesa, telecomunicações e uma ampla variedade de equipamentos tecnológicos.
Por isso, os Estados Unidos procuram construir uma cadeia internacional de parceiros considerados confiáveis.
Pax Silica está no centro da estratégia americana
Um dos instrumentos dessa política é a Pax Silica, iniciativa norte-americana voltada à cooperação entre países considerados estratégicos para as cadeias de suprimentos tecnológicas.
O objetivo é reduzir vulnerabilidades relacionadas à dependência de adversários em áreas como minerais críticos, semicondutores, infraestrutura digital e inteligência artificial.

