Brasil 247- A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) apresentou, nesta segunda-feira (10), a Carta Aberta às Candidaturas 2026, um documento estratégico com propostas para impulsionar o financiamento ao desenvolvimento no Brasil. Destinada a postulantes aos Executivos federal e estaduais, bem como ao Poder Legislativo, a iniciativa consolida 20 propostas estruturadas em cinco eixos prioritários e convida as candidaturas a assumirem publicamente um compromisso mínimo com a pauta.
O documento (consulte a íntegra aqui) destaca o papel do SNF como principal instrumento de crédito para o desenvolvimento do país. Atualmente, o SNF reúne 35 instituições — entre bancos públicos, bancos de desenvolvimento, agências de fomento, sistemas cooperativos, além da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Esse sistema é responsável por 45% do crédito nacional, com R$ 6,9 trilhões em ativos, atendimento a 75 milhões de clientes e presença em todos os 5.570 municípios brasileiros.
Segundo o documento, a atuação do Sistema é decisiva para o desenvolvimento regional e a execução de políticas públicas. Em 2025, a rede respondeu por 98% do financiamento a estados e municípios, 76% do crédito para infraestrutura, 74% do financiamento de longo prazo e 66% do crédito rural no país.
Ao contextualizar os desafios do Brasil para o ciclo 2027-2030, a ABDE aponta gargalos históricos que exigem uma estratégia consistente de financiamento.
Entre eles estão o baixo investimento em infraestrutura (2% do PIB), os investimentos em ciência e tecnologia (1,2% do PIB), a falta de coleta de esgoto para cerca de 100 milhões de brasileiros, a elevada informalidade, que atinge 40% da força de trabalho, e os impactos crescentes das mudanças climáticas, que já provocam perdas superiores a R$ 100 bilhões por ano.
O documento também lembra que a transição para uma economia de baixo carbono demandará investimentos superiores a US$ 1 trilhão até 2050.
Cinco eixos estratégicos
As propostas apresentadas pela ABDE estão organizadas em cinco grandes eixos de políticas públicas:
1. Ambiente regulatório e normativo
Propõe a modernização do marco regulatório das instituições financeiras de desenvolvimento, tratamento regulatório proporcional aos diferentes modelos que compõem o SNF, fortalecimento da atuação legislativa em favor do Sistema Nacional de Fomento e aperfeiçoamento das regras para ampliar o acesso ao crédito em todo o país.
2. Funding e financiamento
Defende a criação de novas fontes de recursos para ampliar o crédito de longo prazo, mecanismos inovadores de captação, fortalecimento dos fundos públicos e garantidores de crédito, além da diversificação dos instrumentos de financiamento para políticas públicas.
3. Fortalecimento do setor produtivo
Apresenta medidas para ampliar o financiamento da agricultura sustentável, da indústria, das micro e pequenas empresas, da inovação, da pesquisa e da conectividade digital, fortalecendo a competitividade e a soberania tecnológica brasileira.
4. Desenvolvimento sustentável e resiliência climática
Propõe ampliar os instrumentos financeiros voltados à descarbonização da economia, aumentar a capacidade de financiamento das cidades para adaptação às mudanças climáticas e integrar desenvolvimento econômico, Defesa Civil e instituições financeiras para resposta rápida a eventos extremos.
5. Inclusão financeira e social
Reúne propostas voltadas à expansão do microcrédito e das microfinanças, educação financeira, fortalecimento do empreendedorismo feminino, inclusão produtiva e valorização do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento econômico e social.
Compromisso mínimo
Além das propostas, a ABDE solicita que as candidaturas assumam cinco compromissos considerados essenciais: o reconhecimento do Sistema Nacional de Fomento como infraestrutura permanente de desenvolvimento; a modernização do marco regulatório das instituições financeiras de desenvolvimento; a preservação dos fundos públicos como instrumentos permanentes de financiamento; o compromisso com uma agenda integrada de financiamento da transição climática; e o fortalecimento da educação financeira, da inclusão produtiva e do cooperativismo.
Ao final da carta, a entidade coloca sua equipe técnica à disposição para apresentar dados, projeções e estudos sobre o Sistema Nacional de Fomento às equipes programáticas das candidaturas e solicita reuniões para aprofundar as propostas apresentadas. A ABDE defende que o processo eleitoral de 2026 representa uma oportunidade para consolidar o entendimento de que o Sistema Nacional de Fomento é um patrimônio nacional e um instrumento estratégico para promover um desenvolvimento sustentável, inclusivo e capaz de alcançar todas as regiões do país.

