Entidades que representam vários setores da indústria brasileira reagiram fortemente à medida determinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil para aquele país.
Ficaram de fora produtos como café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves, entre outros. A lista de produtos isentos chega a mais de 2 mil itens. Eles não são sobretaxados por terem muita importância dentro do mercado norte-americano e por não serem produzidos em larga escala pela indústria do país
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgou comunicado no qual “lamenta com profunda preocupação a aplicação de uma sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano”.
“A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais”, diz a Fiesp.
A entidade reafirmou também o “seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções”.
Fiemg
Quem também se manifestou sobre a taxação norte-americana sobre a economia brasileira foi a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
“A Fiemg manifesta profunda preocupação com o recente aumento das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros”.
Em sua manifestação, a Fiemg reforçou a “importância do diálogo e da cooperação entre os países, especialmente em um momento em que se exige serenidade e responsabilidade nas relações comerciais internacionais”.
A entidade a indústria mineira declarou ainda que os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o país, “em especial para a indústria manufatureira nacional”.
CNI
Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), também criticou a aplicação de taxas contra o Brasil, determinada pelo governo dos EUA.
“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro trimestre”, afirmou Alban.
“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que o Brasil e Estados Unidos construíram”, acrescentou.
ABIT
Em nota, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifesta sua preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas às exportações brasileiras.
Medidas dessa natureza aumentam a insegurança no comércio internacional, reduzem a competitividade das empresas e geram impactos sobre investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas.
A entidade lembra que o Brasil e os Estados Unidos mantêm uma longa e relevante relação econômica e comercial, construída ao longo de décadas, que sempre se caracterizou pelo diálogo e pela complementaridade em diversos setores. Diante desse cenário, a “Abit defende que eventuais divergências comerciais sejam tratadas por meio da negociação, do diálogo institucional e dos mecanismos previstos no sistema internacional de comércio, buscando soluções que preservem o fluxo de negócios e os interesses de ambos os países”.
O atual contexto internacional, marcado por crescente fragmentação geoeconômica e maior utilização de instrumentos de política comercial, reforça a importância de o Brasil continuar avançando em sua agenda de competitividade, ampliação de mercados, diversificação das exportações e fortalecimento de sua base industrial.
*Com Agência Brasil e Assessorias

