Sudene entrega ao TCU estudo técnico sobre o trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina

O Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) analisa nesta quarta-feira (15), o estudo técnico sobre o trecho da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro (PE) e o Porto de Suape (PE), elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O estudo foi entregue nesta segunda-feira (13) ao TCU.

O documento atende ao Acórdão nº 1.217/2026, que determinou a apresentação de análises sobre a viabilidade socioeconômica do empreendimento para subsidiar a apreciação de novos compromissos financeiros relacionados à ferrovia.

Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o estudo da Sudene reúne elementos técnicos para contribuir com a análise do recurso a ser apresentado.

“Os aspectos sociais deste empreendimento fortalecem sua execução. Associados aos potenciais econômicos que já estão presentes e aos que podem surgir, o valor social reforça a importância da obra para a região”, afirmou.

Indicadores

O levantamento apresenta indicadores de avaliação econômica e social da implantação do trecho ferroviário. Entre os resultados, o estudo estima Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%.

Os cálculos consideram fatores como redução dos custos logísticos, diminuição de acidentes rodoviários, redução das emissões de gases de efeito estufa, economia em despesas públicas associadas à infraestrutura rodoviária e ampliação da integração produtiva da Região.

A análise também examina o potencial de utilização da ferrovia para diferentes segmentos da economia nordestina. Além do transporte de cargas voltadas à exportação, o estudo considera a movimentação de grãos, gesso, combustíveis, fertilizantes, calcário, insumos para a construção civil, produtos siderúrgicos e contêineres, tendo como referência o crescimento do mercado regional e a consolidação de cadeias produtivas instaladas no Nordeste.

Com base nessas premissas, a projeção de movimentação anual varia entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas. O documento aponta que a operação da ferrovia em dois sentidos pode ampliar a utilização da infraestrutura, combinando o transporte de cargas destinadas ao Porto de Suape com a distribuição de combustíveis, fertilizantes importados e bens de consumo para o interior, abrangendo uma área de influência superior a 400 municípios.

Impactos econômicos

O levantamento também apresenta estimativas sobre os impactos econômicos da implantação e da operação da ferrovia. De acordo com o estudo, a fase de implantação poderá gerar aproximadamente 13 mil empregos. Na etapa de operação, a estimativa é de cerca de 9,6 mil postos de trabalho, considerando as atividades ferroviárias, os terminais de carga e os setores econômicos relacionados.

Ainda segundo a análise, a área de influência dos terminais de Salgueiro e Suape concentra mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Nordeste. As estimativas indicam impacto de aproximadamente R$ 8,23 bilhões no VAB durante a implantação da ferrovia e acréscimo anual de cerca de R$ 910 milhões na fase de operação.

O estudo encaminhado ao TCU também propõe a criação de uma câmara de conciliação interinstitucional para apoiar a coordenação das etapas relacionadas às questões fundiárias, socioambientais e institucionais necessárias à execução do empreendimento.

 

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Luciana Leão

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