Na reta final das discussões sobre a retomada das obras do trecho pernambucano da Transnordestina, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou, nesta terça-feira (7), na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o estudo técnico que fundamenta sua defesa junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O documento conclui que o ramal entre Salgueiro e o Porto de Suape é socioeconomicamente viável, estima um ganho social de R$ 4,76 bilhões com sua conclusão e reforça os argumentos da autarquia para que o tribunal autorize novos compromissos financeiros necessários ao reinício das obras.
O estudo foi elaborado em atendimento ao Acórdão nº 1.217/2026 do TCU, que condicionou a contratação de novos aportes para o empreendimento à comprovação de sua pertinência e vantagem socioeconômica.
A expectativa da Sudene é que a análise avance nos próximos dias. Durante a apresentação do documento, foi informado que o tribunal deverá divulgar uma nova manifestação sobre o processo no próximo dia 15, considerada decisiva para o futuro do empreendimento.
Além de demonstrar a viabilidade econômica e social da ferrovia, o documento propõe um modelo de governança para fortalecer a coordenação entre os órgãos públicos e instituições responsáveis pela implantação do projeto, buscando conferir maior segurança à execução da obra e à gestão dos investimentos.
Para elaborar o estudo, a Sudene adotou a metodologia do Guia de Análise Custo-Benefício de Projetos de Infraestrutura, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A análise reúne dados de estudo produzido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), complementados por avaliações técnicas da própria autarquia.
O levantamento considera o crescimento do mercado consumidor nordestino e a consolidação de cadeias produtivas já instaladas na região, indicando demanda suficiente para o transporte de grãos, gesso, combustíveis, fertilizantes, calcário, insumos para a construção civil, produtos da siderurgia e contêineres.
Com base nesse cenário, a projeção é de uma movimentação anual entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas de cargas. Segundo o estudo, a operação em fluxo duplo com cargas destinadas ao Porto de Suape e o transporte de combustíveis, fertilizantes importados e bens de consumo para o interior, reduz o risco de ociosidade da ferrovia e amplia sua sustentabilidade operacional. A área de influência do empreendimento alcança mais de 400 municípios, extrapolando as fronteiras de Pernambuco e fortalecendo a integração logística do Nordeste.
Na avaliação do superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, os benefícios da ferrovia vão além dos indicadores econômicos.
“Os aspectos sociais deste empreendimento fortalecem sua execução. Associados aos potenciais econômicos que já estão presentes e aos que podem surgir, o valor social reforça a importância da obra para a região”, afirmou.
O estudo também estima impactos sobre emprego, renda e atividade econômica. Durante a fase de implantação, a expectativa é de aproximadamente 13 mil empregos. Na operação da ferrovia, a projeção é de cerca de 9,6 mil postos, distribuídos entre a atividade ferroviária, os terminais de carga e os setores econômicos associados.
A conclusão do ramal deverá ampliar a integração logística com o Porto de Suape, reduzir custos de transporte, fortalecer a competitividade da economia regional e criar condições para atração de novos investimentos ao longo do corredor ferroviário.

