As atenções do Comércio Exterior entre o Brasil e os Estados Unidos estão voltados nesta terça-feira (7) para a segunda audiência pública nos EUA que discute as tarifas adicionais de 25% e 12,5%, respectivamente sobre o resultado de investigações com base na Seção 301 sobre o favorecimento do Pix, acordos comerciais, o etanol, desmatamento, corrupção e pirataria e sobre trabalho forçado
Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNI), as novas alíquotas podem custar o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. O levantamento indica que se as duas novas propostas forem aprovadas, acontecerá um acréscimo de 27,5 pontos percentuais sobre os bens, sendo 62% intermediários. Neste caso, a taxação pode alcançar 37,5%.
Dados elaborados pela CNI com base em estatísticas do USITC, detalham os produtos intermediários que seriam afetados pelas tarifas. Em 11 deles, o Brasil é o principal fornecedor para os EUA e alguns podem chegar a quase 100% como é o caso do Compensado de Pinus:
Compensado de pinus: 99,6%
Ferro-gusa não ligado: 73,3%
Álcool etílico não desnaturado: 72,3%
Tabaco curado por fumaça ou processado: 72,0%
Molduras de madeira padrão de pinho: 59,4%
Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira: 57,8%
Açúcar de cana em forma sólida, bruto: 52,9%
Granito Munumenta ou de construção: 48,9%
Hidróxido de alumínio: 47,5%
Sebo não comestível: 37,5%
Peptonas e seus derivados: 33,1%
A imposição coloca em risco imediato o equivalente a 25% das novas exportações e afeta diretamente setores estratégicos nacionais como máquinas pesadas, transformadores elétricos, madeira, granito trabalhado e etanol. Uma reação em cascata que sufoca pequenas e médias empresas fornecedoras, segundo a CNI.
Relações bilaterais
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, novas tarifas contra o Brasil também vão elevar custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas dos Estados Unidos.
“O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, explica.
CNI acompanha audiência nos Estados Unidos
O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública hoje, em Washington (EUA), sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Dos 80 inscritos para falar na audiência, 66 devem se posicionar contra a medida.
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O USTR concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos. A expectativa é que haja uma decisão final até 15 de julho.
“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, reforça Alban.

