A proteção do ecossistema de uma parte do “mar nordestino” e a manutenção de atividades econômicas compatíveis com a preservação ambiental foi tema de encontro entre o Consórcio Nordeste e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) esta semana. O grupo de trabalho discutiu a proposta de criação de Unidades de Preservação (UCs) nos Montes Oceânicos das Cadeias de Fernando de Noronha e do Norte do Brasil.
O tema já vinha sendo discutido entre governos estaduais, Governo Federal, organizações ambientalistas e representantes dos setores pesqueiro e de navegação. Mas, avança agora para, de fato, sair do campo das ideias e virar realidade, diante das mudanças climáticas e o aquecimento dos oceanos.
Na avaliação da secretária do Meio Ambiente do Ceará e coordenadora da Câmara Temática de Meio Ambiente do Consórcio Nordeste, Vilma Freire, o encontro foi um avanço significativo na construção da proposta.
Vilma Freire confirma que o Ministério do Meio Ambiente demonstrou grande interesse em promover reuniões técnicas nos estados e deve dialogar com os setores envolvidos para apresentar as vantagens ambientais e econômicas da criação das UCs.
A diretora de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, Ana Paula Prates, destacou a relevância estratégica da iniciativa. “Em um contexto de crescente pressão sobre os ecossistemas marinhos, proteger essas áreas significa preservar a biodiversidade, fortalecer a resiliência climática e assegurar as bases ecológicas que sustentam o desenvolvimento das presentes e futuras gerações”, afirmou.
O que são as Cadeias de Fernando de Noronha e Norte do Brasil
A ideia inicial das Unidades de Preservação (UCs) inclui uma região que possui uma vasta área de montanhas subaquáticas e cordilheiras vulcânicas.
Essa faixa do “mar nordestino” abriga uma das mais ricas e estratégias biodiversidades marinhas do país.
Os montes oceânicos das Cadeias de Fernando de Noronha e Norte do Brasil se estendem por 1.300 quilômetros no Oceano Atlântico equatorial, localizados a cerca de 150 a 300 quilômetros da costa brasileira entre os estados do Ceará e Rio Grande do Norte, até o arquipélago de Fernando de Noronha.
A região abriga corais, peixes, tubarões, tartarugas e baleias, muitas espécies ameaçadas de extinção. Sua preservação é essencial para a manutenção da biodiversidade, a sustentabilidade da pesca, a regulação climática e a proteção de habitats que funcionam como berçários e corredores ecológicos no Atlântico Sul.

