O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) voltou a impor novas tarifas para alguns produtos da pauta de importação brasileira. Por meio de um comunicado do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgado no final da noite dessa segunda-feira (1°), a imposição será de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.
O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei – ferramenta de política comercial que permite aos americanos investigar e retaliar outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
Estariam isentas do novo tarifaço carne bovina, café, certas frutas e nozes, especiarias, petróleo bruto e derivados, minérios metálicos, outros metais e aeronaves, peças de aeronaves, compostos farmacêuticos, produtos químicos orgânicos e fertilizantes.
Antes de adotar aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida, o governo americano realizará consultas públicas e audiências.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos realizará uma audiência sobre a ação proposta em 6 de julho de 2026. Já o dia 15 de julho é o prazo limite para a definição e aplicação das classificadas como “medidas corretivas” contra o Brasil.
Governo do Brasil
A orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é para que os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Industria e Comércio) busquem o diálogo. Mas tanto diplomatas quanto assessores do Planalto temem que os EUA transformem debate econômico em debate político e influencie nas eleições.
O diagnóstico é de que o governo americano pode reciclar os mesmos argumentos do ano passado, vinculando um novo tarifaço, por exemplo, ao método de pagamento Pix.
Na tentativa de reverter o desgaste, pelo menos no campo político, o episódio será usado para fortalecer o argumento de defesa da soberania nacional.
A ideia é de que Lula vincule a nova proposta de tarifação à viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, referindo-se a ela como um “lobista contra o Brasil”.

