Final do Big Brother manda a morte ao paredão, por José Natal

Numa sinistra mistura de fatalidade e ironia, o inesperado chegou de surpresa e deu ao reality show da TV (Big Brother Brasil), um final jamais sequer rascunhado por qualquer exímio roteirista, fosse ele chegado a qualquer gênero, da dramaturgia ao realismo que choca e impressiona.

Poucas horas antes do encerramento do evento, que em horário nobre muitas vezes agrada, e outras tantas incomoda, dois personagens de relevância absoluta no script original, ocupam cenas não programadas, robustas em conteúdos assustadoramente inesperados.

Talentoso, bem humorado e com versátil agilidade no comando do programa, Tadeu Schmidt, (51 anos) jornalista que iniciou carreira na TV Globo de Brasília, e hoje liderando audiência nacional, tomado de emoção devido a morte do irmão Oscar, encarou telas, microfones e as circunstâncias do dia, desempenhando a missão como se fosse uma prova do líder. Qualquer que seja a prova, tendo a morte como lembrança constante, há que ser forte pra não sucumbir.

Nesse particular, a ironia se fez presente, de forma maldosa, quase cruel. Tira do animador toda graça da animação, cancela sorrisos e o transforma em pessoa diferente, mesmo sendo em dias iguais.

Na sequência, como se fosse uma obediência ao lema de que “O show não pode parar”, o programa comunica à participante Ana Paula Renault (44 anos) a morte do pai, hospitalizado e por ela sempre citado em ocasiões não raras.

Polêmica, às vezes agressiva, às vezes conciliadora, a personagem durante a jornada, vai dos extremos aos gestos de humildade. Ora se gabando de rainha, outras vezes se fazendo de vítima, sempre na busca da ribalta, que ali a consagra e projeta. A exemplo da dor que abalou Tadeu, a participante do show também foi atingida, na mesma proporção e com a mesma intensidade.

A morte de entes queridos, como acontece a todos nós, afeta os sentidos, machuca a alma e fere como uma lança aguda e afiada. Especialistas dizem que na perspectiva bíblica a finitude é a condição humana de limitação temporal, física e mortal, desconectando a distinção entre a fragilidade do homem e a eternidade de Deus.

Os dois episódios (trágicos), de uma só vez, e apenas com poucas horas de diferença entre um e outro, com certeza mudou final de um enredo que por certo levaria participantes e promotores a efusivas comemorações, como sempre acontece quando se busca um podium, como se fosse uma medalha. No caso aqui, o entusiasmo e o incentivo financeiro acrescentam algo mais a festejar, sinalizando quem sabe perspectivas até de radical mudança de rumos, destinos e realizações.

Não é comum que coisas assim aconteçam com frequência, claro que não. Reality show, como esse em questão, e vários outros mundo afora, dividem opinião, atiçam mentes libertárias e invadem espaços de corações e mentes, devaneios à luz do dia, ou circo do horrores sabe-se lá quando. O simbolismo do programa quase sempre é alegria, embora vez por outra dramas e constrangimentos cheguem ao público de variadas formas, e cada um a seu juízo perdoa, condena ou ignora. A luz da razão, julgar e ser julgado gera consequências diferentes, cada um escolhe a sua.

Nesse show que agora termina, mesmo com muitos esboçando afago, afeto e alguma alegria, entrará para a história como aquele que a tristeza da morte quase levou todos ao paredão. Por certo será também o único, que assim seja.

José Natal
Jornalista

Curta e compartilhe:

Walter Santos

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *