Por José Natal, coluna Fatos do PLANALTO*
Está aberta Brasil afora a temporada de caça ao voto, com a luta pela vitória nas urnas atiçando corações e mentes. Às vezes com o eleitor esquecendo a ética, e quase sempre ultrapassando limites. Com a definição dos nomes que vão disputar a cadeira no Palácio do Planalto, a competição ganha ingredientes apimentados, sinalizando que talvez venha por aí uma das campanhas mais acirradas nos últimos tempos.
Conforme as últimas pesquisas, acabou de vez a serena tranquilidade que até agora a candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva ostentava, mesmo que ainda, pela força que tem, está longe de ser considerada fora do páreo. Fácil explicar o que acontece, desde que aqueles que de alguma forma estejam no processo (ativa ou indiretamente), admitam o fato com a naturalidade que o momento exige.
As candidaturas foram colocadas à mesa, o número de concorrentes está definido e as indagações do que, e como cada um vai colocar seu bloco nas ruas é no que o cidadão que está de olho no lance começa a observar.
A partir de agora, cada movimento dos candidatos terá uma lupa especial cuidando de seus passos, ouvindo suas falas e flertando com seus atos, até mesmo em lugares nunca dantes visitados.
Vale lembrar que em passado recente (na páscoa) Janja, a Primeira Dama, não escapou de críticas ao preparar com temperos de fato, e carinhos de afeto, um apetitoso churrasco de carne de paca, destinado as gulas do Presidente Lula, que sem perda de tempo mandou pra dentro, sem pensar duas vezes.
Fosse esse gesto afetivo-culinário, realizado em época distante das eleições, talvez a manifestações seriam apenas de inveja, uma vez que para quem é do ramo sabe que, bem preparado, trata-se de um prato que se come rezando.
Sem perda de tempo, os “ambientalistas” que não sabem nem a diferença de uma tartaruga e um capacete de soldado de exército, saíram dando gritinhos de revolta pelo ato, para eles um absurdo. A paca (o animal) é um roedor, menor apenas que a capivara, cujo nome científico é “cuniculidae” é conhecido em todo território nacional, tem hábitos noturnos, reproduz em média uma vez por ano (um filhote por vez) e tem um tempo médio de vida de 14 anos, ou um pouco mais.
A caça da paca é proibida por lei (lei 9.605 de 1998), mas a exemplos de outros animais pode ter sua carne comercializada, segundo o IBAMA, por produtores autorizados, sob controle de autoridades credenciadas.
No caso do churrasco da Janja, a carne foi doada por um criador de Santa Catarina, um gesto de amizade. Fosse esse ato afetivo-culinário realizado em época não eleitoreira, talvez a “concorrência” nem se manifestasse, mas com eleições à vista qualquer chuvisco vira tempestade. Daí a chuva de críticas ao assado, que mesmo sob pressão, foi devorado.
De volta às campanhas, as presenças dos nomes de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Aldo Rebelo e Renan Santos, todos alinhados a partidos da direita, incrementaram o movimento, e as esperadas alterações no quadro sucessório aconteceram, como era de se esperar.
Na pesquisa DataFolha, recém publicada, o segundo turno da eleição indica vantagem de Flávio Bolsonaro, fato que para muitos não surpreende. Para a maioria, sinaliza uma possível mudança de postura uma vez que o quadro ganha novos personagens, mais intensidade no contato com a população e, acima de tudo, revisão de estratégias e correção de rotas.
Há outros candidatos também na disputa, mas o quarteto mais conhecido, por certo fortalecerá a ala do candidato do PL, no caso de um segundo turno.
Segundo analistas e aliados mais próximos, Ronaldo Caiado não traz apenas o Centro Oeste como provável alavanca de suporte positivo à sua campanha. Experiente, e com traquejo adquirido em outras jornadas também acirradas, o indicado de Kassab traz na manga mágicas soluções de incentivo ao agronegócio, política efetiva de combate ao crime e exemplos de modernização do estado, com apostas na juventude.
Ainda adotando as pesquisas como referência, e alerta, para os próximos passos das campanhas, o embate que até agora reúne significativos sinais de intensa disputa será mesmo travado entre Lula e Flávio Bolsonaro, projetando um segundo turno voto a voto.
Em época de disputas por cargos eleitorais, tudo que acontece em torno da palavra VOTO ganha relevância. E por aqui, evidentemente também é assim. Há quem se preocupe com o fato de Viktor Orban, de 62 anos, líder da direita da Hungria, perder o cargo depois de 16 anos, para o líder da oposição, Péter Magyar, de 45 anos, vendo nesse episódio presságios ruins. E há também quem se incomode com churrasco de paca, temperado com fagulhas eleitoreiras. Vida que segue.
José Natal
Jornalista

