Bloqueio no Estreito de Ormuz dura pouco e petróleo deve seguir em alta

Durou pouco tempo a expectativa positiva nos mercado após a indicação do governo do Irã de que a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz seria liberada a partir da sexta-feira (17/4). A decisão foi revertida já no sábado (18), depois de os Estados Unidos indicarem que vão manter o bloqueio naval na região.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a Marinha estadunidense atacou e assumiu o controle de um navio cargueiro de bandeira iraniana que atravessou a região no domingo (19). Trump acusou o governo iraniano de violar o acordo de cessar-fogo antes que os EUA capturassem o navio.

Até a manhã desta segunda-feira (20), não havia sinais claros de retomada no tráfego de navios na saída do Golfo Pérsico. Com isso, permanece o principal gargalo para o suprimento global de petróleo. Os preços devem iniciar a semana em alta novamente, depois de um alívio na sexta (17), quando o Brent para junho cedeu 9,06% (US$ 9,01), a US$ 90,38 o barril.

Oscilação dos preços

No final da semana passada, sob a expectativa de reabertura do fluxo internacional para o petróleo do Oriente Médio, líderes europeus chegaram a se reunir em Paris e discutir a possibilidade de uma missão defensiva multinacional para proteger a navegação na região, sem a participação dos EUA, segundo reportagem do G1.

O final de semana foi marcado por sinais contraditórios: Trump chegou a anunciar uma nova rodada de negociações com os iranianos, que negaram. Portanto,  a semana que se inicia trará definições importantes: até quarta (22) será anunciada a renovação ou o fim do cessar-fogo de duas semanas, em vigor desde 8 de abril.

Enquanto isso, o panorama segue alarmante para o suprimento global. A Rystad Energy calcula que o déficit na oferta chegará a 1,8 bilhão de barris de petróleo, se o conflito se estender por mais seis semanas e o bloqueio em Ormuz continuar.

Segundo a consultoria, nessas condições, vai ser necessária uma “resposta extrema” da demanda para evitar problemas de suprimento a partir de junho.

Mas a Agência Internacional de Energia (IEA) já indicou que em algumas regiões os efeitos começam já em maio, quando há possibilidade de escassez de combustível de aviação no continente europeu.

Analistas têm indicado que o eventual retorno dos barris do Oriente Médio ao mercado pode ajudar a aliviar a oferta no curto prazo, mas que os preços do petróleo seguirão elevados, devido à ampliação da percepção de risco geopolítico.

O secretário de energia dos EUA, Chris Wright, disse neste domingo que acredita que os preços da gasolina atingiram o pico e reconheceu que as cotações devem seguir neste patamar até o próximo ano, em reportagem na Reuters/Valor Econômico.

 

*Com Agência Eixos
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Luciana Leão

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