Com a chegada da primavera e a atuação de um novo episódio de El Niño colocam o clima no radar para os próximos meses. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do país, mas não explica, sozinho, todos os eventos extremos. O aumento das temperaturas e da frequência de ondas de calor também está relacionado ao processo de aquecimento global.
No Nordeste, a principal preocupação é com os reservatórios. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mostram que Pernambuco e Piauí estão entre os estados nordestinos com os menores volumes armazenados. Os açudes pernambucanos operam com 34,5% da capacidade, enquanto os piauienses estão em 34,8%. Na semana, Pernambuco teve a maior redução proporcional entre os estados acompanhados, passando de 35,3% para 34,5%.

Os períodos de El Niño são historicamente associados à redução de chuvas em partes do Norte e Nordeste. No episódio de 2015-2016, por exemplo, Pernambuco enfrentou uma forte crise hídrica, com o colapso do reservatório de Jucazinho e a ampliação da dependência de Caruaru da água da Transposição do Rio São Francisco.
Excesso de chuva
Os efeitos do fenômeno, no entanto, não se resumem à redução das chuvas. Setembro foi marcado por volumes acima da média no Sul e no oeste de São Paulo, com acumulados de até 200 milímetros acima do normal. O excesso de chuva contribuiu para episódios de temporais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto Roraima e o leste do Pará registraram alguns dos maiores déficits de precipitação.
O contraste também aparece nas temperaturas. O Sul foi a única região com predomínio de temperaturas dentro ou abaixo da média em setembro. Em outras áreas do país, os termômetros ficaram acima do normal, com anomalias superiores a 2°C em partes de Mato Grosso, Pará e Roraima.

No Pacífico Equatorial, a temperatura da superfície do mar chegou a 2,3°C acima da média em 5 de outubro, na quarta semana consecutiva na faixa considerada de El Niño muito forte. Próximo às costas do Peru e do Equador, a anomalia chegou a 4,5°C.
Temporais e incêndios
Os extremos climáticos também aparecem nos registros de setembro. Entre 5 de setembro e 5 de outubro, mais de 30 mil pessoas foram deslocadas ou ficaram desalojadas em decorrência de chuvas intensas, vendavais e granizo em 103 municípios de dez estados. São Paulo e Rio Grande do Sul concentraram os maiores números de afetados.
No mesmo período, o país registrou 28.418 focos de incêndio, 19,2% a menos que no mesmo intervalo de 2025. A redução ocorreu principalmente no Cerrado, enquanto a Amazônia teve aumento de 78,5%, com 15.206 focos. O Amazonas registrou quase quatro vezes mais focos em setembro do que no mesmo mês do ano passado.

