O leilão de áreas de petróleo e gás que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realiza nesta quarta-feira (7) terá participação de empresas em nove bacias sedimentares, cinco delas no Nordeste: Potiguar, Ceará, Recôncavo, Parnaíba e Tucano.
A expectativa do setor é de uma disputa moderada, diante do cenário internacional e da cautela das petroleiras em relação aos investimentos. Ainda assim, as áreas nordestinas podem atrair empresas que já possuem operações na região e buscam ampliar seus portfólios.
Concessão
No regime de concessão, serão ofertados 22 setores de blocos exploratórios e duas áreas com acumulações marginais.
A distribuição inclui cinco setores na Bacia Potiguar, dois na Bacia do Ceará, três no Recôncavo, dois na Parnaíba e um na Bacia de Tucano. As áreas de acumulações marginais estão nas bacias Potiguar e Tucano.
A Bacia do Parnaíba aparece entre os pontos de atenção. A Eneva, que já mantém operações na região, com sete blocos e 13 campos, é apontada como uma das empresas que pode buscar novas áreas para ampliar sua presença.
O interesse também pode vir de companhias de menor porte, especialmente em áreas próximas a operações existentes, onde a infraestrutura já instalada pode reduzir custos e riscos.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip), Marcio Felix, porém, os blocos do regime de concessão atravessam uma espécie de “entressafra”. Ele avalia que o maior interesse do mercado deve se concentrar nas áreas do pré-sal, oferecidas no regime de partilha.
Outro fator de cautela está no ambiente regulatório. Na última segunda-feira (5), a ANP retirou cinco blocos terrestres da Bacia do Parnaíba do leilão após identificar problemas na aplicação dos critérios socioambientais. As áreas estavam entre as questionadas em uma ação judicial.
O episódio acrescenta incertezas para empresas interessadas em novas fronteiras exploratórias, especialmente em áreas terrestres onde o processo de licenciamento ambiental ainda pode representar um obstáculo.
Mesmo com a expectativa de uma disputa sem grandes lances, o leilão mantém importância para o Nordeste. A entrada de novos investimentos em exploração pode ampliar a atividade nas cadeias de petróleo e gás, além de gerar novas oportunidades para fornecedores e municípios produtores.

