Vorcaro e a expansão do Banco Master se consolida com ascensão de Campos Neto em 2019 com Bolsonaro

Por Walter Santos

Dados levantados pelo site da Revista NORDESTE indicam que o Caso Master começa oficialmente no Banco Central em 2019, já no governo Bolsonaro. É assim que a história é contada nos documentos do próprio BC e nos depoimentos à CPI: A origem – do Máxima para Master.

O banco não nasceu do zero. Era o antigo Banco Máxima. O dono, Daniel Vorcaro, tentou duas vezes assumir o controle – em 2017 com 91,87% sozinho e em janeiro de 2019 com mais 7 sócios – e teve os pedidos rejeitados na gestão Ilan Goldfajn no BC.

A virada pro Banco Master só acontece quando Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, assume a presidência do BC em fevereiro de 2019.

Em 14 de outubro de 2019 a Diretoria Colegiada do BC aprova a transferência do controle para Vorcaro e dois sócios. A decisão é publicada no Diário Oficial em 24 de outubro.

Antes disso, houve um aumento de capital de R$ 80,4 milhões para R$ 180,4 milhões, cuja origem hoje é questionada.

Em 2021 o Máxima é rebatizado oficialmente para Banco Master, com foco em crédito consignado e CDBs de alta rentabilidade.

O ambiente regulatório da gestão Bolsonaro / Campos Neto

Entre 2019 e 2022, sob Campos Neto, o sistema financeiro passou por flexibilizações que, segundo denúncias ao Congresso, reduziram exigências prudenciais e facilitaram a expansão de bancos de médio porte.

Isso permitiu ao Master ampliar crédito com menos capital próprio e captar muito dinheiro no mercado oferecendo rentabilidade alta. A representação feita à PGR pelo deputado Lindbergh Farias aponta que havia sinais de fragilidade financeira ao longo dos anos, com alertas do próprio FGC e da Febraban, mas sem intervenção do BC.

Por isso, o presidente Lula chamou o caso de “ovo da serpente” colocado na gestão Campos Neto – uma fraude que já ocorria durante a presidência dele no BC, e o ministro Haddad disse que a fraude no Master já ocorria na gestão Campos Neto e que Galípolo herdou o problema.

Os alertas ignorados

Em 2023, o advogado Vladimir Timerman, da Esh Capital, protocola denúncia formal no BC relatando operações com precatórios sem lastro e sócio oculto (Nelson Tanure). Ele disse à CPI: “Eu fiz uma denúncia para o Banco Central em 2023 […] se tivessem prestado atenção, teriam evitado”.

• Julho de 2024: a Polícia Federal alerta o BC por escrito sobre fraudes e donos ocultos, mas a resposta interna foi o arquivamento, sem levar ao colegiado.

• Novembro de 2024: o BC assina apenas um termo de compromisso com Vorcaro para “correções”. 

Registros de LAI mostram que Vorcaro visitou o BC dezenas de vezes durante a presidência de Campos Neto.

A virada

Só com a troca de comando, já no governo Lula, a postura muda drasticamente, segundo Haddad. Em 18 de novembro de 2025, o BC sob Gabriel Galípolo decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master por graves violações e insolvência, no mesmo dia da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero.

Os prejuízos são estimados em pelo menos R$ 17 bilhões, com ativos inflados, CDBs sem lastro real e balanços que não correspondiam à realidade patrimonial.

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