Empate no primeiro turno, vantagem no segundo: pesquisa Gerp mostra eleitor dividido entre Lula e Flávio

Levantamento da Gerp registra diferença de apenas 0,4 ponto percentual entre os dois no primeiro turno, mas Flávio Bolsonaro aparece cinco pontos à frente de Lula na simulação de segundo turno. Maioria, porém, acredita que Lula vencerá a eleição

A eleição presidencial de 2026 ainda está longe de ter um resultado desenhado. Mas a pesquisa nacional da Gerp, realizada entre 21 e 25 de agosto, divulgada nesta quinta-feira (27) mostra uma situação que merece atenção: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem praticamente empatados na intenção de voto no primeiro turno, enquanto Flávio abre vantagem quando os dois são colocados frente a frente em um segundo turno.

Na pesquisa estimulada, Flávio Bolsonaro tem 37,6% das intenções de voto e Lula, 37,2%. A diferença é de apenas 0,4 ponto percentual, muito abaixo da margem de erro de dois pontos. Pablo Marçal aparece em terceiro, com 4%, seguido por Renan Santos e Ronaldo Caiado, ambos com 3%.

O cenário muda quando a pergunta passa a considerar apenas os dois candidatos. Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro chega a 47%, contra 42% de Lula. A diferença de cinco pontos está acima da margem de erro. Outros 8% afirmam que não votariam em nenhum dos dois e 3% não sabem ou não responderam.

É uma diferença que não surgiu apenas nesta medição. Na série de cinco pesquisas divulgadas pela Gerp entre 5 de junho e 25 de agosto, Flávio variou de 45% a 47% no segundo turno, enquanto Lula ficou entre 39% e 42%.

A eleição que o eleitor imagina

Há, porém, um dado que torna a leitura menos direta. Quando perguntados quem acreditam que vencerá a eleição, independentemente do próprio voto, 52% dos entrevistados apontam Lula. Flávio Bolsonaro é citado por 36%. A diferença chega a 16 pontos percentuais. A pergunta, portanto, não mede preferência eleitoral, mas a percepção do eleitor sobre o provável vencedor.

Os números contam duas histórias diferentes. Na intenção de voto, os dois estão empatados. Na simulação de segundo turno, Flávio aparece à frente. Mas, quando o eleitor é chamado a avaliar quem provavelmente ganhará a eleição, Lula continua sendo o nome mais citado.

Essa diferença entre voto, expectativa e avaliação dos candidatos talvez seja um dos aspectos mais interessantes desta pesquisa.

Rejeição é outro fator importante

Lula também aparece com a maior rejeição entre os nomes apresentados. 49% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, enquanto 40% fazem a mesma afirmação em relação a Flávio Bolsonaro. Como a pergunta permitia mais de uma resposta, os percentuais não podem ser somados.

A série histórica mostra que a rejeição de Lula permaneceu praticamente estável, entre 48% e 49%, nas cinco medições divulgadas. A de Flávio caiu de 42% para 40% no mesmo período.

A divisão por sexo chama atenção. A rejeição a Lula chega a 57% entre os homens e cai para 41% entre as mulheres. Para Flávio, ocorre o contrário: 32% entre os homens e 46% entre as mulheres.

Na simulação de segundo turno, essa diferença também aparece: Flávio alcança 55% entre os homens, mas fica em 40% entre as mulheres. Lula tem 35% entre os homens e 47% entre as mulheres.

O governo Lula chega à pesquisa com avaliação negativa

A avaliação da Presidência ajuda a completar o quadro. 51% dos entrevistados desaprovam o trabalho realizado pelo governo, enquanto 43% aprovam. Outros 6% não souberam ou não responderam.

O resultado, no entanto, não representa uma mudança brusca em relação às medições anteriores. Nas cinco pesquisas divulgadas, a aprovação variou de 40% a 43%, enquanto a desaprovação ficou entre 50% e 53%, chegando agora a 51%.

Segurança aparece como principal preocupação

Se a escolha presidencial passa também pelos problemas que o eleitor considera mais graves, a segurança aparece com destaque.

Violência ou falta de segurança foi mencionada por 45% dos entrevistados, ocupando o primeiro lugar. Em seguida vêm falta de hospitais ou postos de saúde (26%), corrupção (25%) e falta de médicos ou profissionais de saúde (23%). Impostos muito altos foram citados por 17%, escolas ruins por 16% e custo de vida elevado por 14%.

A pesquisa permitia até três respostas para essa pergunta, portanto os percentuais não devem ser somados.

Há diferenças importantes entre os grupos. A preocupação com violência chega a 51% entre quem tem renda de até dois salários mínimos e cai para 22% entre aqueles com renda superior a 20 salários mínimos. Já a corrupção alcança 35% entre os entrevistados das faixas de renda mais altas.

Ainda há espaço para mudança

Apesar de a maior parte dos eleitores que escolheu um candidato afirmar que sua decisão está definida, 16% dizem que ainda podem mudar de voto. Entre os eleitores de Lula, 10% admitem mudança; entre os de Flávio, 15%.

A diferença é maior entre os jovens. Na faixa de 16 a 24 anos, 29% dizem que ainda podem mudar de escolha, contra 69% que consideram a decisão definida.

Esse grupo também apresenta comportamento diferente em relação aos candidatos que não estão na liderança. Na exposição às campanhas, por exemplo, Renan Santos chega a 20% entre os jovens de 16 a 24 anos, enquanto registra 5% no total da amostra.

A pesquisa da Gerp ouviu 2.400 pessoas em todo o país, entre 21 e 25 de agosto, pelo sistema GerpCati, com entrevistas por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03547/2026.

O Nordeste representa 28% da amostra, mas a pesquisa apresentada não traz, nas tabelas analisadas, os resultados de intenção de voto especificamente para a região. Por isso, não é possível atribuir ao eleitor nordestino os percentuais nacionais registrados pelo levantamento.

 

Fonte: Pesquisa Gerp Nacional

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Luciana Leão

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