Por Paulo Galvão Júnior*
Caros leitores da Revista NORDESTE, atualmente, a Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista, localizada no Espaço Cultural José Lins do Rego, no bairro de Tambauzinho, em João Pessoa (PB) dispõe de um importante conjunto de obras do economista paraibano Celso Monteiro Furtado (1920-2004), um dos maiores intérpretes do Brasil e um dos mais influentes pensadores latino-americanos do desenvolvimento econômico.
Em minha opinião, Celso Furtado é o maior economista brasileiro de todos os tempos. Para mim, o maior legado dele é a sua fecunda e permanente obra intelectual. Por essa razão, estou diretamente empenhado na disponibilização de sua produção bibliográfica, com o objetivo de contribuir para que sua obra se torne cada vez mais acessível à população, sobretudo, aos jovens leitores que frequentam uma das principais bibliotecas públicas do estado, situada na capital paraibana.
O levantamento realizado no acervo da biblioteca pública demonstra a importância de ampliar, preservar e democratizar o acesso à produção intelectual de Celso Furtado na Paraíba. Em novo levantamento realizado em 25 de agosto de 2026, foram identificados 20 títulos de autoria do economista atualmente disponíveis no acervo, totalizando 45 exemplares.
Paralelamente, foram identificadas 20 obras que ainda não integram o acervo, cuja futura incorporação vem sendo objeto de tratativas entre o Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba (FCF-PB), sediado em João Pessoa, e o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF), com sede oficial no Rio de Janeiro. A iniciativa tem como principal objetivo ampliar a obra de Celso Furtado na Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista até 31 de dezembro de 2026.
Obras de Celso Furtado disponíveis no acervo da biblioteca pública do Espaço Cultural
| Tabela 1: Obras de Celso Furtado disponíveis no acervo da Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista (25/Ago./2026) | ||
| Obras de Celso Furtado | Ano da publicação | Número de exemplares |
| Formação Econômica do Brasil | 1959 | 10 |
| Desenvolvimento e Subdesenvolvimento | 1961 | 2 |
| A Pré-Revolução Brasileira | 1962 | 1 |
| Dialética do Desenvolvimento | 1964 | 1 |
| Subdesenvolvimento e Estagnação na América Latina | 1966 | 1 |
| Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico | 1967 | 1 |
| Um Projeto para o Brasil | 1968 | 2 |
| Formação Econômica da América Latina | 1969 | 1 |
| Análise do “Modelo” Brasileiro | 1972 | 4 |
| A Hegemonia dos Estados Unidos e o Subdesenvolvimento da América Latina | 1973 | 2 |
| O Mito do Desenvolvimento Econômico | 1974 | 5 |
| A Economia Latino-Americana | 1976 | 1 |
| Criatividade e Dependência na Civilização Industrial | 1978 | 1 |
| O Brasil Pós-“Milagre” | 1981 | 3 |
| A Nova Dependência: Dívida Externa e Monetarismo | 1982 | 1 |
| Não à Recessão e ao Desemprego | 1983 | 4 |
| A Fantasia Desfeita | 1989 | 1 |
| O Capitalismo Global | 1998 | 2 |
| Em Busca de Novo Modelo: Reflexões sobre a Crise Contemporânea | 2002 | 1 |
| Essencial Celso Furtado | 2013 | 1 |
| Total | 20 títulos | 45 exemplares |
Fonte: Elaborado pelo próprio autor, com base no levantamento realizado no acervo da Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em 25 agosto de 2026. |
||
O levantamento quantitativo totaliza 45 exemplares, distribuídos entre 20 títulos. Destaca-se, de maneira especial, Formação Econômica do Brasil, publicada originalmente em 1959, que possui 10 exemplares no acervo consultado. Trata-se da obra-prima e de um dos livros mais importantes da trajetória intelectual de Celso Furtado, um dos mais traduzidos para diversos idiomas, como inglês, francês, espanhol, italiano, entre outras línguas estrangeiras.
Outro destaque é O Mito do Desenvolvimento Econômico, publicado originalmente em 1974, que possui cinco exemplares. A obra visionária representa uma etapa importante da evolução do pensamento furtadiano, especialmente de sua reflexão crítica sobre os limites do modelo de desenvolvimento econômico predominante. Também merece destaque a presença de quatro exemplares de Análise do “Modelo” Brasileiro (1972) e de Não à Recessão e ao Desemprego (1983), além de três exemplares de O Brasil Pós-“Milagre” (1981).
Uma histórica doação de obras de Celso Furtado pelo CICEF
Em 12 de agosto de 2026, um dia antes do Dia do Economista no Brasil, ocorreu uma histórica doação ao acervo, realizada pelo CICEF, cujo atual presidente é o economista Carlos Pinkusfeld Monteiro Bastos. Entre as obras incorporadas estão A Pré-Revolução Brasileira (1962), Dialética do Desenvolvimento (1964), Criatividade e Dependência na Civilização Industrial (1978) e Essencial Celso Furtado (2013).
É importante registrar que Essencial Celso Furtado é uma obra com organização e apresentação de Rosa Freire d’Aguiar, com prefácio de Carlos Brandão. A histórica doação da renomada escritora, tradutora e jornalista carioca Rosa Freire d’Aguiar também incluiu exemplares adicionais de importantes títulos que já faziam parte do acervo, ampliando sua quantidade disponível para leitura. Entre eles estão Formação Econômica do Brasil (1959), Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico (1967), Análise do “Modelo” Brasileiro (1972), O Mito do Desenvolvimento Econômico (1974), Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (1961), Não à Recessão e ao Desemprego (1983) e O Capitalismo Global (1998).
Essas novas incorporações através da simpática viúva de Celso Furtado são particularmente relevantes porque fortalecem a disponibilidade de obras furtadianas e ampliam as possibilidades de leitura, pesquisa e formação acadêmica aos frequentadores da biblioteca do Espaço Cultural José Lins do Rego.
Obras de Celso Furtado ainda não incorporadas ao acervo da biblioteca estatal do Espaço Cultural
| Tabela 2: Obras de Celso Furtado ainda não incorporadas ao acervo da Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista (25/Ago./2026) | |
| Obras de Celso Furtado ainda não incorporadas ao acervo | Ano da publicação |
| Contos da Vida Expedicionária: de Nápoles a Paris | 1946 |
| A Economia Brasileira: Contribuição à Análise do seu Desenvolvimento | 1954 |
| Uma Economia Dependente | 1956 |
| Perspectivas da Economia Brasileira | 1958 |
| A Operação Nordeste | 1959 |
| Uma Política de Desenvolvimento Econômico para o Nordeste | 1959 |
| Subdesenvolvimento e Estado Democrático | 1962 |
| Pequena Introdução ao Desenvolvimento: um Enfoque Interdisciplinar | 1980 |
| Cultura e Desenvolvimento em Época de Crise | 1984 |
| A Fantasia Organizada | 1985 |
| Transformação e Crise na Economia Mundial | 1987 |
| ABC da Dívida Externa | 1989 |
| Os Ares do Mundo | 1991 |
| Brasil: a Construção Interrompida | 1992 |
| Obra Autobiográfica de Celso Furtado | 1997 |
| Seca e Poder: Entrevista com Celso Furtado | 1998 |
| O Longo Amanhecer: Reflexões sobre a Formação do Brasil | 1999 |
| Introdução ao Desenvolvimento: Enfoque Histórico-Estrutural | 2000 |
| Economia Colonial no Brasil nos Séculos XVI e XVII: Elementos de História Econômica Aplicados à Análise de Problemas Econômicos e Sociais | 2001 |
| Raízes do Subdesenvolvimento | 2003 |
| Total | 20 títulos |
Fonte: Elaborado pelo próprio autor, com base no levantamento realizado no acervo da Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista e na bibliografia de Celso Furtado em 25 de agosto de 2026. |
|
A incorporação dessas 20 obras representará um avanço extraordinário para a preservação e a democratização do pensamento furtadiano na Paraíba. A relação contempla diferentes fases da trajetória intelectual de Celso Furtado, desde A Economia Brasileira: Contribuição à Análise do seu Desenvolvimento, de 1954, o seu primeiro livro de Economia, até Raízes do Subdesenvolvimento, de 2003, o seu último livro de Economia, um ano antes de falecer no Rio de Janeiro, no ano de 2004, aos 84 anos de idade.
Um convite furtadiano à sociedade paraibana
Estimado(a) leitor(a) da renomada Revista NORDESTE, contribua para a ampliação do acervo da Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista. Hoje, faça uma doação de uma obra de Celso Furtado no Espaço Cultural José Lins do Rego, na capital paraibana.
Entre as obras cuja incorporação será especialmente importante estão A Economia Brasileira: Contribuição à Análise do seu Desenvolvimento (1954), Uma Economia Dependente (1956), Perspectivas da Economia Brasileira (1958), A Operação Nordeste (1959), Uma Política de Desenvolvimento Econômico para o Nordeste (1959), A Fantasia Organizada (1985), Brasil: a Construção Interrompida (1992), O Longo Amanhecer: Reflexões sobre a Formação do Brasil (1999) e Raízes do Subdesenvolvimento (2003).
A participação de cidadãos, instituições públicas e privadas, economistas, professores, estudantes, aposentados e admiradores da obra de Celso Furtado poderá contribuir decisivamente para que sua produção intelectual esteja cada vez mais acessível ao público paraibano até o último dia do ano de 2026.
Celso Furtado é um patrimônio intelectual da Paraíba

A ampliação do acervo da Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista possui significado especial porque Celso Furtado nasceu em Pombal, na Paraíba, em 26 de julho de 1920, e dedicou parte fundamental de sua trajetória intelectual e profissional à compreensão dos problemas da Região Nordeste.
Sua atuação na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), como primeiro superintendente em Recife, transformou-o em uma das principais referências do planejamento regional brasileiro. Sua produção intelectual, contudo, ultrapassou amplamente os limites geográficos do Nordeste e alcançou o Brasil, a América Latina e o mundo.
Furtado buscou compreender as estruturas históricas do subdesenvolvimento, a concentração da renda, as desigualdades regionais, as disparidades sociais, a dependência econômica, a formação do mercado interno, a industrialização e a necessidade de construção de um projeto nacional de desenvolvimento.
Por essa razão, disponibilizar sua obra em uma biblioteca pública paraibana significa democratizar o acesso a um patrimônio intelectual que pertence não apenas aos economistas, mas também aos estudantes, professores, historiadores, cientistas sociais e cidadãos interessados em compreender melhor o Brasil.
Uma situação positiva e, ao mesmo tempo, desafiadora
Neste 26 de agosto de 2026, o levantamento revela uma situação simultaneamente positiva e desafiadora. É positiva porque a Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista já possui um conjunto expressivo da produção intelectual de Celso Furtado: 20 títulos e 45 exemplares, conforme o levantamento realizado em 25 de agosto de 2026.
É desafiadora porque ainda existe uma parcela relevante de sua produção intelectual que não está disponível nas prateleiras da biblioteca estatal. A incorporação de 20 livros atualmente ausentes permitiria ampliar significativamente a diversidade temática e cronológica da obra de Furtado.
A perspectiva, entretanto, é promissora. As tratativas com potenciais doadores, como a escritora Glauce Maria Navarro Burity, viúva do saudoso governador Tarcísio de Miranda Burity, idealizador e fundador do Espaço Cultural José Lins do Rego; o economista e professor Edivaldo Teixeira de Carvalho, ex-presidente do CORECON-PB e ex-vice-presidente do COFECON; e o economista Aniberto Mendonça de Melo, ex-presidente do CORECON-PB e ex-superintendente do IBGE na Paraíba, podem contribuir para a incorporação gradual dessas obras de Celso Furtado ao acervo na biblioteca pública.
Essa mobilização de leitores furtadianos em torno do acervo completo de Celso Furtado representa muito mais do que a aquisição de livros. Trata-se de uma iniciativa de preservação da memória, valorização da cultura, democratização do conhecimento e fortalecimento da identidade intelectual paraibana.
Considerações finais
A Biblioteca Pública Estadual Juarez da Gama Batista tem a oportunidade de se tornar um importante centro público de referência para o estudo do pensamento furtadiano na Paraíba. A existência de 20 títulos e 45 exemplares atualmente disponíveis, somada à possibilidade de incorporação de outras 20 obras, permitirá construir uma coleção mais abrangente da obra do economista paraibano.
Essa iniciativa ganha ainda maior relevância porque Celso Furtado foi um intelectual profundamente comprometido com a superação do subdesenvolvimento, com a redução das desigualdades regionais e sociais e com a construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil.
Mais do que aumentar o número de livros nas prateleiras da biblioteca estatal, essa iniciativa significa preservar a memória de um dos maiores economistas latino-americanos do século XX. Portanto, preservar a obra de Celso Furtado é preservar uma parte essencial da memória intelectual da Paraíba, do Nordeste, do Brasil e da América Latina. Democratizar o acesso à sua profícua obra é transformar essa memória em conhecimento para as atuais e futuras gerações de leitores, como o meu primeiro neto, Pedro Galvão Novais, que nasceu em 25 de agosto de 2026, na linda cidade de Niterói. Saúde, Pedrinho!

