Grupo de origem tcheca, que mantém no Ceará sua principal operação no Brasil, estuda projeto inspirado na integração entre arquitetura, natureza e arte; Pernambuco também está no radar
O Grupo Alchymist, de origem tcheca e comandado pelo empresário italiano Giorgio Bonelli, avalia a implantação de um novo empreendimento nos Lençóis Maranhenses. A proposta ainda está em fase preliminar e depende de estudos ambientais e de viabilidade, mas já aponta para uma nova etapa da estratégia de expansão do grupo no Nordeste.
O conceito em estudo prevê a integração entre arquitetura, natureza, arte e experiências turísticas. Entre as referências está a obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí, conhecido pelas formas orgânicas e pela maneira como seus projetos dialogam com elementos naturais.
A ideia, segundo o grupo, é que a arquitetura seja desenvolvida a partir das características do território, e não simplesmente implantada sobre a paisagem. Antes de qualquer decisão sobre a implantação, serão avaliadas as condições ambientais, as limitações da área e a legislação aplicável.
“Os Lençóis Maranhenses têm uma força que dispensa apresentações. Estamos em uma fase de estudos e queremos compreender profundamente o território e todas as questões ambientais e legais envolvidas. Se o projeto avançar, queremos construir algo que respeite essa natureza extraordinária, dialogue com ela e tenha identidade própria”, afirma Giorgio Bonelli.
Ainda não há definição sobre o formato do empreendimento, número de unidades, capacidade, investimento ou cronograma. Qualquer avanço dependerá dos estudos técnicos, das licenças ambientais e das demais autorizações dos órgãos competentes.
Do Ceará a novos destinos
A movimentação ocorre depois de uma sequência de investimentos do grupo no Ceará, onde sua atuação brasileira se concentrou desde a chegada ao país. A empresa mantém empreendimentos no litoral oeste, incluindo projetos em Jericoacoara e Caucaia, combinando hotelaria, gastronomia, clubes de praia e equipamentos de entretenimento.
Em dezembro de 2025, o Alchymist anunciou investimentos de R$ 70 milhões em um parque aquático e no complexo do Alchymist Luxury Resort, em Jijoca de Jericoacoara. Na mesma ocasião, informou novos aportes superiores a R$ 40 milhões para ampliações do Alchymist Lagoa Encantada e do Alchymist Prehistoric Park, em Caucaia.
A expansão para outros destinos brasileiros também já estava no radar. Em entrevista publicada pelo Diário do Nordeste em dezembro de 2025, a diretora comercial e de marketing do grupo, Cléa Girão, afirmou que a empresa havia recebido propostas para Porto de Galinhas e Fernando de Noronha. Na ocasião, Fernando de Noronha era apontado como a possibilidade mais concreta de um novo investimento, ainda sem detalhes divulgados.
Agora, com a avaliação de um projeto nos Lençóis Maranhenses, o grupo passa a olhar para outro dos grandes destinos turísticos do Nordeste. A movimentação, porém, ainda está no campo das possibilidades e não representa a confirmação de um novo empreendimento.
Um projeto ainda no começo
A cautela é especialmente relevante diante das características ambientais dos Lençóis Maranhenses. Qualquer empreendimento na região terá de observar as regras de proteção ambiental e o processo de licenciamento correspondente.
Por enquanto, o que existe é uma proposta conceitual e o início dos estudos. O grupo afirma que pretende compreender o território antes de definir o projeto, uma condição que, se mantida nas próximas etapas, será determinante para saber se a ideia poderá sair do papel.
O Alchymist, que construiu sua trajetória internacional na hotelaria e na gastronomia e consolidou no Ceará uma carteira de empreendimentos turísticos, agora testa novos caminhos no país. Pernambuco já apareceu no mapa; o Maranhão surge como uma nova possibilidade.

