Eleições de 2026 no DF – o resgate da boa gestão, por José Natal

Numa convenção que teve participação de cerca de 14 mil pessoas e as presenças de todos os caciques do PSD e AVANTE, José Roberto Arruda foi lançado candidato a governador do Distrito Federal.

Três detalhes chamaram a atenção: a convenção do PSD, em Brasília, teve recorde de público entre todas as outras, mesmo a nível nacional. Arruda assumiu a campanha já com o Programa de Governo debaixo do braço. E traz, como vice, o ex-deputado federal Luiz Pitiman, gestor comprovado por suas ações como presidente da Novacap, como secretário de Obras e em empreendimentos na iniciativa privada.

A vida ensina que política é a arte de consertar o que está errado e plantar nova esperança na população. O motivo é simples: quanto mais tempo você fica no trem errado, mais longa é a viagem de volta. E a hora é essa!

Agora, em agosto, com as convenções partidárias realizadas, os brasileiros terão uma definição de nomes de pessoas e siglas de partidos que vão se apresentar para construir uma nova gestão política para os dois poderes da República: Legislativo e Executivo. E ambos poderão construir, também, um novo diálogo com o Poder Judiciário.

Ainda amargurando uma ressaca desagradável, após o fiasco da nossa Seleção na histórica 23ª Copa do Mundo, vencida pela Espanha, brasileiros de todas as regiões trocam de uniformes e transferem corações e mentes para outra competição. Talvez não com tanta emoção e entusiasmo, mas é fato que o torcedor frustrado de ontem espera ser o eleitor vitorioso de amanhã.

Há quem diga que urna e futebol despertam as mesmas paixões. Ambas incontroláveis. Se, no futebol, Brasília ainda não é lá essas coisas, no quesito eleições, a leitura por aqui é outra. Afinal, esse “estádio” é a Capital do País, chamada até de berço das grandes decisões nacionais.

Para esse pleito de 2026, há um quê de curiosidade e expectativa quanto ao resultado, por ser uma jornada recheada de lances que, a exemplo do futebol, também mexem com a torcida, sempre ansiosa e tensa.

Desde 18 de março do ano passado, para ser exato, alguma coisa mudou nos ares e nos semblantes dessa Capital. Naquele dia, todos se lembram, o cidadão Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e sabe-se lá de mais o quê, foi preso em São Paulo, começando ali um longa-metragem que já gerou infinitas séries de suspense, corrupção e terror.

O episódio da compra do BRB pelo banqueiro incendiou gabinetes em Brasília. A água, que não apagou as labaredas, respingou no então governador Ibaneis Rocha, nos seus aliados e contaminou toda sua estrutura de poder e de candidaturas. Majoritárias e proporcionais.

Ibaneis Rocha, alegando compromissos particulares e cansaço, escafedeu-se. Sua vice, Celina Leão (PP), assumiu o GDF e anunciou sua candidatura ao governo. Misturada a esse master imbróglio, meio no sufoco, Celina Leão anuncia que vai recuperar o BRB e promete acordos e mecanismos burocráticos e financeiros, suficientes para extirpar a crise. Crise que até agora não foi debelada. A cidade assiste a tudo isso com perplexidade.

A vice de Ibaneis esteve, quase sempre, na retaguarda. A forma como foi tratada pelo então governador, após deixar o cargo, surpreendeu pela rispidez e deselegância. Grosseria, seria o termo.

A dois meses da eleição, com um GDF criticado pela falência na saúde pública e dificuldades quanto à conclusão de obras urbanas, Celina ocupa boa colocação nas pesquisas. Analistas, observadores e políticos veteranos da capital, candidatos ou não, citam que Celina terá, no candidato José Roberto Arruda, seu maior adversário.

Arruda já governou a cidade (2007-2010), e, agora, indicado pelo presidente de seu partido (PSD), Gilberto Kassab, esbanja popularidade, principalmente nos núcleos urbanos – as 35 Regiões Administrativas que constituem o Distrito Federal. Onde passa, Arruda é lembrado pelas duas mil obras que deixou.

Mineiro de Itajubá-MG, engenheiro, bom de prosa, contador de casos, autor do livro de poesias “Minhas Estações”, lançado em maio passado na Livraria Travessa, José Roberto Arruda participou de sua última eleição em 2006. Ele ganhou no primeiro turno com 663.364 votos (50,38%). Maria de Lourdes Abadia ficou em segundo lugar, com 315.671 votos (23,97%), e Arlete Sampaio, em terceiro, com 275.660 (20,93%).

Assessor do ministro Aureliano Chaves no Ministério das Minas e Energia, ex-secretário de Serviços Públicos no governo José Aparecido de Oliveira, líder no Senado de Fernando Henrique Cardoso, chefe da Casa Civil de Joaquim Roriz, tocador de obras, inventor do Metrô, Arruda é responsável por obras importantes no Plano Piloto e cidades-satélites.

O povo não esquece a ampliação da EPTG, a nova rodoviária, o Hospital de Santa Maria, a construção do Clube do Choro e da Torre Digital – última obra de Oscar Niemeyer inaugurada com o arquiteto ainda vivo.

É a realidade que dá ao Arruda, mesmo 20 anos fora das urnas, um “recall” de fidelidade e lembranças de mais de 26%. Nas pesquisas atuais, disputa pau a pau (pela margem de erro) com a atual governadora.

Arruda candidata-se com fundamento na Lei Complementar nº 219, votada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República. Essa lei, do ano passado, estabeleceu limite máximo para períodos de inelegibilidade: ninguém pode ficar impedido de se candidatar por mais de 12 anos pelo mesmo fato.

Três verdades saltam aos olhos de todos: primeiro, que, por jurisprudência do próprio STF – Supremo Tribunal Federal –, a lei não pode ser mudada em ano eleitoral.

Em corolário, vale lembrar que não há pena eterna no Brasil. Já se passaram 16 anos desde que Arruda deixou o GDF, ou seja, o prazo máximo de inelegibilidade foi cumprido com folga.

A hora é essa! As eleições de 2026 pedem o resgate da ética e da boa gestão.

José Natal
Jornalista

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