O Nordeste foi a única região do país a registrar retração na intenção de compra do varejo no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o recuo foi de 1%, enquanto o Sul (+4,4%), Centro-Oeste (+2%), Norte (+0,6%) e Sudeste (+0,2%), encerraram o período em alta, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), da Seed Digital.
De acordo com os dados, embora o varejo nacional tenha apresentado sinais de melhora no segundo trimestre, após um início de ano marcado por quedas, o Nordeste seguiu na direção contrária do resto do país. A região também apresentou um desempenho negativo no acumulado do primeiro semestre, com retração de 0,4%.
Panorama nacional
No cenário nacional, o varejo físico encerrou o primeiro semestre de 2026 com retração de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do resultado acumulado negativo, o setor apresentou sinais de recuperação entre abril e junho, quando avançou 1%, após queda de 5,4% registrada no primeiro trimestre.
A trajetória do semestre foi marcada por forte oscilação. Depois de avançar 6,1% em janeiro, o varejo registrou queda na intenção de compra de 10,2% em fevereiro, o pior resultado do período. Em março, a retração mais moderada, de 0,7%, começou a sinalizar estabilização.
A melhora ganhou força em abril, com alta de 4,1%, e foi mantida em maio, quando o índice avançou 0,4%. A sequência positiva foi interrompida em junho, que encerrou com queda de 1,4%, influenciada pelas mudanças no fluxo de consumidores durante os jogos da Copa do Mundo.
“O primeiro semestre teve dois momentos bastante distintos. O impacto mais forte aconteceu no início do ano, enquanto o segundo trimestre mostrou uma reação importante. O resultado acumulado ainda é negativo, mas a redução das perdas indica que o varejo conseguiu recuperar parte do fôlego ao longo dos últimos meses”, afirma Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital.
Lojas de rua reagem, mas shopping centers mantêm vantagem
Os diferentes formatos do varejo também apresentaram comportamentos distintos ao longo do semestre. Entre abril e junho, as lojas de rua registraram crescimento de 0,9%, enquanto os shopping centers tiveram retração de 1%.
Mesmo assim, no acumulado dos seis primeiros meses do ano, os shoppings mantiveram desempenho superior, com alta de 0,8%. As lojas de rua, mais afetadas pelo fraco desempenho do primeiro trimestre, encerraram o semestre com retração de 2,8%.
Segundo semestre
Para o segundo semestre, a Seed Digital projeta um cenário marcado por oportunidades de consumo, mas também por incertezas. O calendário eleitoral e a implementação da Reforma Tributária podem influenciar o comportamento dos consumidores, justamente no período em que o comércio concentra suas principais datas promocionais, como Black Friday e Natal.
Segundo Sidnei Raulino, o cenário exigirá planejamento e maior capacidade de adaptação por parte dos varejistas.
“O segundo semestre deve exigir capacidade de adaptação. Em um ambiente de mudanças rápidas, transformar dados em decisões será fundamental para preservar margens, aproveitar as datas comerciais e responder às alterações no comportamento do consumidor”, conclui.

