Novo tarifaço americano também afeta o consumidor final brasileiro, explica especialista

A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados aumenta a preocupação de empresas, trabalhadores e investidores. Petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose integram uma lista de exceções, o que limita parte do impacto sobre setores relevantes da economia nacional.

Embora a cobrança recaia sobre as mercadorias que entram no mercado americano, o consumidor brasileiro também pode sentir os reflexos. A influência aparece de forma indireta, principalmente no comportamento do dólar, nas decisões das empresas exportadoras, na geração de empregos e no custo de produtos que dependem de componentes ou matérias-primas vindos do exterior.

“O consumidor não encontra uma cobrança de 25% na etiqueta de um produto vendido no Brasil, mas o impacto chega por outros caminhos, como a oscilação cambial, a redução das encomendas internacionais e a revisão dos investimentos por parte das empresas. Por isso, os efeitos precisam ser avaliados de acordo com cada setor”, explica Adriana Ricci, especialista em mercado financeiro, fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008.

Caso os compradores americanos reduzam pedidos ou procurem fornecedores de outros países, parte da produção destinada aos Estados Unidos pode permanecer no Brasil e esse aumento da oferta tem potencial para conter reajustes ou até favorecer a queda de determinados preços. Esse movimento, porém, depende da procura nacional, dos contratos comerciais e da capacidade de cada empresa para redirecionar suas vendas.

O cenário também traz riscos para o emprego e a renda. Companhias muito dependentes do mercado americano podem diminuir turnos, adiar expansões ou suspender contratações para compensar a perda. Municípios com forte presença de indústrias exportadoras ficam mais expostos a essa desaceleração, que pode alcançar o comércio e os serviços locais por meio da redução do consumo das famílias.

Outro ponto de atenção está no câmbio. A queda das exportações reduz a entrada de dólares no país e eleva a cautela dos investidores. Com menos dólares entrando, o que significa valorização interna da moeda americana, os produtos importados encarecem, assim como medicamentos, equipamentos, componentes eletrônicos e insumos utilizados pela indústria, criando espaço para reajustes que chegam ao orçamento doméstico.

A exclusão de produtos importantes ajuda a conter os efeitos imediatos do tarifaço, pois preserva atividades com participação relevante nas exportações brasileiras, mas uma eventual resposta e a reciprocidade, podem elevar custos para empresas nacionais e consumidores.

“O impacto final depende da duração do conflito, da reação do dólar e da capacidade das empresas de encontrar novos compradores. Quanto maior a demora para uma solução, maior o risco de redução dos investimentos e da renda, o consumidor precisa acompanhar o cenário, principalmente o câmbio, o mercado de trabalho e os preços de itens com componentes importados”, revela Adriana Ricci, head de Operações e fundadora da SHS Investimentos.

 

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Luciana Leão

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