O mercado de corridas de rua no Brasil movimenta mais de R$ 1,1 bilhão, segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esporte Outdoor (ABRACEO). Nesse cenário, o Nordeste consolidou-se como o segundo maior polo da modalidade no país.
A pesquisa “Por Dentro do Corre”, realizada pela Olympikus em parceria com a Box1824, estima que a região reúna entre 2,6 milhões e 3,3 milhões de praticantes, cerca de 20% dos corredores brasileiros. O crescimento da modalidade impulsiona o turismo esportivo e movimenta a economia regional.
Esse crescimento se reflete na expansão das provas realizadas na região. Um exemplo é a segunda edição da Meia Maratona do Marco Zero, marcada para domingo (26), no Recife Antigo. O evento atrai corredores de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe. Dados recentes do “Perfil do Atleta Brasileiro”, divulgados pela Ticket Sports, indicam que 48% dos corredores nordestinos costumam viajar para competir.
Um deles é o servidor público e corredor amador de João Pessoa, Antônio Gouveia Júnior, que começou a correr em 2019 e, desde então, passou a se dedicar às corridas de rua de forma mais frequente. Após ingressar em uma assessoria esportiva em 2024, passou a priorizar provas de longa distância e a participar de competições em outros estados.
“Hoje procuro fazer provas em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Como já participei da maioria das corridas em João Pessoa, busco desafios em outros lugares”, afirma.
Segundo o corredor, a corrida de rua também se tornou uma forma de conhecer novos destinos. Nos últimos anos, ele participou de provas em São Paulo, Porto Alegre, Argentina e Uruguai, e se prepara para disputar a Maratona de Assunção, no Paraguai.
“Eu busco sempre conciliar corrida com turismo. É possível participar de uma prova, conhecer o lugar, provar novos sabores e ampliar a cultura. A corrida acaba envolvendo também a atividade turística”, diz.
De acordo com André Macedo, empresário, diretor do Instituto Asa Branca e um dos idealizadores da prova, Recife reúne condições para ampliar sua presença no circuito nacional de corridas de rua.
“Se o crescimento das corridas de rua continuar no ritmo atual, Recife parece cada vez mais preparada para ocupar um lugar de destaque no mapa das grandes provas brasileiras. E a Meia Maratona do Marco Zero surge como uma das principais candidatas a liderar esse movimento no Nordeste com uma nova proposta nesse setor esportivo”, afirma.
Além dos percursos de 5 km, 10 km e 21 km, a prova deste ano terá um formato inédito: o Desafio Capibaribe, com 30 km. Nas semanas que antecedem o evento, os participantes têm acesso ao MZ Summit, plataforma de conteúdo com especialistas em treinamento, fisioterapia, nutrição, empreendedorismo esportivo e prevenção de lesões, além de rodas de conversa e encontros voltados à preparação física e mental.
Para Antônio, a prova em Recife faz parte da preparação para outro desafio internacional. “Vou fazer os 30 quilômetros como uma etapa do meu treinamento para a Maratona de Assunção”, conclui.

