A se confirmar a previsão meio que fantástica demais para alguns, ou improvável para outros tantos, resta aos bolsonaristas mais dedicados apostar (ou acreditar), nos avanços políticos de Michelle Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para que o legado de Jair Bolsonaro não se esfarele de vez e despenque ladeira abaixo em jornadas futuras.
Raposa felpuda, da cúpula partidária do Capitão, implorando sigilo, se diz preocupada com os rumos da campanha que se avizinha, onde transparece visível fragilidade de comando, insegurança na base de apoio, e confirma que os estragos causados pela troca de “afagos” entre a ex-primeira dama e o candidato da vez, ainda hoje carece de curativos mais cuidadosos.
A renúncia de Michelle Bolsonaro, deixando a presidência do PL Mulher, após ser “elogiada” com ironia pelo candidato Flávio Bolsonaro, escancarou o que muitos já sabiam, mas fingiam não saber.
O que veio a seguir tirou esqueletos dos armários, motivou uma retomada de posição, e, finalmente, parece ter acordado sonolentos e descuidados bolsonaristas, até agora batendo cabeças, sem saber que rumo tomar. A não ser, é claro, o rumo aos Estados Unidos, opção aliás, absurdamente adotada pelo candidato, amarrado de corpo e alma a Donald Trump, de quem é admirador, ou submisso.
O efeito Michelle vai gerar consequências, e todos ao seu redor já sabem disso, e assustados buscam desculpas esfarrapadas, com os habituais pedidos de perdão, o eterno e batido “não foi bem assim” e coisas do gênero.
Para os que chegaram agora, e estão ainda mal informados sobre os prejuízos, anotem duas ou três informações que, mais cedo ou mais tarde, terão que botar na conta negativa gerada pela imprudência amadora dos bolsonaros.
A ex-primeira dama, com folga, lidera as pesquisas para ser eleita senadora por Brasília, capital adquirido que, se melhor tratada pela família, poderia ser revertida em benefício de Flávio, que a despreza.
Bom lembrar que o eleitorado feminino, hoje em torno de 84 milhões de mulheres, terá (ou teria), na possível senadora, importante apoio eleitoral. Evangélica, Michelle também tem a seu lado lideranças de peso nesse setor, votos que podem ser agora questionados devido a inabilidade que tem nome e CPF, mas fraco desempenho quando a pauta é política eleitoral.
Especialistas na área acreditam que a postura de hoje de Michelle tem como pano de fundo um projeto maior, quem sabe as eleições de 2030, quando, com experiência, alcance voos mais arrojados. Nascida em março de 1982, terá naquele ano 48 anos de idade e bagagem política ideal, e se bem trabalhados, darão a ela o status que hoje busca, mas a família do marido impede que consiga.
Os mesmos que apostam nessa investida, citam também que, pelos estragos e arranhões até agora acumulados nesse roteiro de filme ruim, além de Michelle, resta aos bolsonaros se apegarem com afinco a Tarcisio de Freitas, Governador de São Paulo, com chances reais de uma nova eleição no estado.
Renegado pelo capitão, quando postulava a candidatura presidencial, Tarcísio, se eleito, será o mais forte aliado (ou talvez o único) a quem os Bolsonaros buscarão abrigo político, com algum poder e influência, acredita a fonte com pessimismo, e frustração.
Claro, e evidente, que é cedo ainda para que qualquer diagnóstico, ou projeção, venham com tamanha consistência negativa, levando-se em conta que o processo definitivo sequer começou,e dele sempre se espera ações inesperadas, tudo pode acontecer.
O que há de verdade, e que de fato preocupa e motiva permanente sinal de alerta ligado, é o quadro atual, onde são crescentes os sinais de despreparo e euforia enganosa, desestímulo evidente aos aliados, e incentivo aos adversários. As recentes declarações do Presidente do PL (Partido Liberal), Valdemar da Costa Neto, meio que acuado, e como sempre inseguro, de público e acabrunhado, praticamente confirmam revelações que fontes internas, cheias de medo de represálias, confirmam com detalhes.
Talvez, ou com certeza, bem mais preocupantes. Cartas na mesa.
José Natal
Jornalista

