Neste 24 de junho, o Brasil celebra os 50 anos dos Doces Bárbaros, encontro histórico de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia.
Cinquenta anos de um manifesto artístico que transformou a música brasileira em liberdade, invenção e identidade.
É impossível lembrar os Doces Bárbaros sem pensar na Bahia profunda, generosa e criadora; a terra do maestro e designer Rogério Duarte, do poeta Waly Salomão, do cancioneiro eterno de Dorival Caymmi, da literatura universal de Jorge Amado e de João Ubaldo Ribeiro, do samba de Riachão, da resistência cultural de Mestre Moa do Katendê e da visão humanista do reitor Edgard do Rêgo Santos, um dos grandes formuladores da universidade moderna no Brasil.
É nessa “terra dos doces bárbaros” que o outro bárbaro, o Paraíbano Walter Santos também se reconhece a sua trajetória do jornalista, empreendedor e multimídia.
Walter é, à sua maneira, um doce bárbaro nordestino. Fez da comunicação um território de criação permanente, unindo jornalismo, cultura, política e inovação. Soube compreender que informar é também construir pontes, preservar memórias, estimular o pensamento crítico e valorizar as identidades de um povo.
Como os Doces Bárbaros, Walter nunca se acomodou aos formatos convencionais. Reinventou-se diversas vezes, antecipou tendências e transformou a comunicação em uma experiência multimídia, plural e profundamente conectada com as transformações do Brasil e do Nordeste.
Neste dia em que os Doces Bárbaros completam meio século de existência, a homenagem também se estende a todos aqueles que, como Walter Santos, acreditam que a cultura e a comunicação são instrumentos de liberdade, de afeto e de transformação social.
Porque a herança de Caetano, Gil, Gal e Bethânia não está apenas nas canções. Ela vive em cada gesto de ousadia, em cada ato de resistência cultural e em cada pessoa que escolhe criar, dialogar e construir novos caminhos.
Salve os 50 anos dos Doces Bárbaros. Salve a Bahia criadora. E salve Walter Santos, um doce bárbaro da comunicação brasileira, que segue fazendo do jornalismo um exercício permanente de invenção, memória e futuro.
Sérgio Nóbrega é psicólogo e presidente da Associação Folia de Rua em João Pessoa

