Brasil pode se tornar polo global da economia verde, aponta estudo do ICS

O Brasil tem potencial para atrair parte dos US$ 600 bilhões a US$ 800 bilhões investidos anualmente em setores ligados à transição energética, como combustíveis limpos, indústria de baixo carbono, minerais críticos e agricultura sustentável. A avaliação consta no estudo Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition, divulgado nesta terça-feira (23) pelo Instituto de Clima e Sociedade (ICS) e pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx), da London School of Economics and Political Science. 

Segundo o relatório, o país possui uma combinação de vantagens competitivas como energia renovável abundante, reservas significativas de minerais essenciais, a maior capacidade agrícola do mundo e biodiversidade. 

A análise foi apresentada durante um evento na London Climate Action Week, que reuniu formuladores de políticas, investidores, pesquisadores e representantes do Brasil e da comunidade internacional.

Os pesquisadores, no entanto, alertam que transformar esse potencial em crescimento econômico depende da superação de desafios como gargalos de infraestrutura, segurança jurídica, capacidade de execução de projetos e combate ao desmatamento ilegal.

O principal autor do estudo, Luiz Awazu Pereira da Silva, afirmou que “as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento”. Todavia, ainda restam dúvidas quanto a capacidade do Brasil para converter as vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento produtivo e desenvolvimento econômico. 

A diretora executiva do ICS, Maria Netto, destaca que o país pode ter papel estratégico em áreas como energia limpa, biocombustíveis, minerais críticos e segurança alimentar. Para ela, a transição ecológica também abre espaço para uma nova fase de reindustrialização brasileira.

Já o economista e membro do ICS, Jorge Arbache,  avalia que a mudança para uma economia baseada em energia limpa pode redesenhar as cadeias globais de produção nas próximas décadas.

O estudo defende que, além de um desafio ambiental, a transição verde deve ser vista como uma oportunidade econômica para o Brasil ampliar investimentos, gerar empregos e fortalecer sua inserção no mercado internacional.

 

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Ana Júlia Silva

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