Há quem diga que no Brasil de antigamente (sem exageros, claro) quando as famílias ainda tinham lá mais voz ativa na escolha dos cursos superiores que os filhos iam cursar, as indicações de medicina, química e física tinham lá suas preferências. Nos dias de hoje isso mudou um pouco, ou talvez tenham posições invertidas. Mais digitalizados, e com certeza com as inteligências mais artificializadas, os jovens avançam rumo ao futuro numa velocidade outrora invejada por muitos, alcançável por poucos.
As chamadas ciências exatas, segundo o Ministério da Educação, para as famílias indicavam chances de profissões mais rentáveis financeiramente. Bote aí uma semana de debates, e nem assim chegaremos a lugar algum quanto a verdade dos fatos.
Temos boas chances de chegar a um acordo sim, quanto a importância, peso e influência econômica do uso da energia (em suas diversas formas) ao futuro e qualidade de vida do nosso País. Energia, em sua definição mais clara, é a capacidade de realizar trabalho, mover ou transformar corpos e sistemas físicos, sendo uma grandeza de escala fundamental na física.
Energia não pode ser criada ou destruída, ela pode ser transformada, ou transitada entre formas (cinéticas, potencial, térmica etc…) e se manifestar a partir daí. Falamos aqui da energia gerada pelas baterias, fontes de luz e variadas formas de eletricidade de uso e proveito de comunidades, ambientes industriais e tudo mais que a vista alcance.
O primeiro uso da bateria data do começo do século XIX, com a invenção da pilha elétrica por Alessandro Volta (1800), surgindo daí a “pilha voltaica”. Em seguida, o francês Gaston Planté, em 1859, inventou a bateria à base de chumbo. Na era moderna, com a bateria feita de ÍON-LÍTIO a humanidade ganhou o que muitos chamam de conforto, mobilidade e progresso.
Os avanços da ciência e das pesquisas consolidaram meios diversificados de geração de energia. O uso real da energia de baterias no Brasil é recente, e ano a ano vem sendo aprimorado. Já em 1960, com baterias fabricadas a base de chumbo e ácido, a utilização de sistemas de “Backups” e “Nobreaks” o processo avançou, consolidando projetos a partir dos anos de 2000 a 2010.
Vale o histórico junto à comunidade, uma vez que até os dias de hoje medidas burocráticas, de alguma forma ainda causam transtornos a investidores e entidades que trabalham no setor, e em muitos casos obedecem limitações que levam tempo até que alcancem soluções práticas e objetivas, o que geralmente termina em prejuízo do cidadão interessado em justo benefício.
Uma das questões polêmicas, em debate há tempos, é em relação a utilização de baterias de energia a serviço de comunidades, diz respeito a cobrança da chamada tarifa dupla, pagamento considerado injusto por fornecedores aos órgãos do governo. Apesar das inúmeras possibilidades de aplicações centralizadas e distribuídas da energia por baterias, muitas ainda dependem de questões regulatórias e comerciais.
Fato que reforça a necessidade de buscar a inserção das baterias no mercado brasileiro de forma sustentável. Medida, que se implantada, contribuirá para que o sistema elétrico seja beneficiado. Com otimismo, e esperança de que ações similares venham a acontecer, o setor comemora a aprovação da Lei 15.269 de 2025, do Conselho Elétrico Brasileiro (SEB).
Há também expectativas sobre decisões que estão programadas para o primeiro semestre deste ano de 2026. Inclusive novos leilões para a contratação de novas empresas fornecedoras de baterias. Atiçando a curiosidade, e o interesse daqueles que de alguma forma se utilizam, ou gostariam de se utilizar da energia das baterias, aqui uma particularidade que vale ressaltar.
Para a utilização eficiente dos recursos de armazenamento distribuído é necessário que o consumidor tenha sinalização econômica do requisito, ou serviço que o sistema necessita naquele local e momento. Um exemplo da importância, e do lado positivo que ação recomenda, vem da região de Jacareacanga, cidade do Pará com 14 mil habitantes, desconectada do Sistema Interligado de Energia.
A implantação de um projeto de modernização de fornecimento de energia em áreas isoladas, notadamente no período noturno e em dias nublados.
Jacareacanga, região lembrada com frequência por ter sido local de um levante militar em 1955, tem atrações turísticas de toda ordem, uma população ordeira e admirada em toda a Região Norte.
Para beneficiar a região com essa providência o projeto deverá ser colocado em prática a partir de 2027, e já despertando interesse de várias empresas privadas. Evidente que há em curso uma série de outros projetos Brasil afora, e é grande o interesse do setor que isso prossiga e alcance sucesso. A meta é o avanço do uso da energia limpa, êxitos na economia e perspectivas confirmadas do bem estar das comunidades.
Para os que apostam e acreditam que investir nos cursos que pesquisam ciências exatas, talvez venha daí uma boa resposta. Bateria é energia, que o Brasil gosta e precisa…
José Natal
Jornalista

