A produção científica das universidades federais do Nordeste tem se consolidado como um dos pilares da nova economia baseada em conhecimento e sustentabilidade.
Segundo painel inédito da plataforma Data Nordeste, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), as instituições da Região respondem por 15% dos pedidos de patentes em biotecnologia registrados no Brasil, evidenciando a capacidade crescente de transformar pesquisa em inovação e desenvolvimento produtivo.
O levantamento integra o datastory “Bioeconomia no Nordeste: biodiversidade, inovação e desenvolvimento”, que apresenta um panorama atualizado das cadeias produtivas associadas ao uso sustentável de recursos naturais e identifica oportunidades estratégicas para o crescimento regional.
A bioeconomia, baseada no aproveitamento de recursos renováveis, como plantas, microrganismos e resíduos biológicos, combinados à inovação tecnológica, vem ganhando espaço como alternativa para diversificar a economia e reduzir impactos ambientais.
Nesse cenário, o Nordeste reúne condições particularmente favoráveis: diversidade de biomas, base científica consolidada e crescente articulação entre universidades, setor produtivo e políticas públicas.
A Academia
Os dados do painel revelam a força do sistema universitário regional na geração de conhecimento aplicado. Entre as instituições com maior número de pedidos de patentes em biotecnologia, destacam-se: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — 167 pedidos; Universidade Federal da Paraíba (UFPB) — 156 pedidos; Universidade Federal do Maranhão (UFMA) — 120 pedidos; Universidade Federal do Ceará (UFC) — 111 pedidos.
Além do capital científico, o potencial econômico da biodiversidade regional reforça as perspectivas de crescimento da bioeconomia.
No Maranhão, o babaçu tem se consolidado como matéria-prima estratégica para a produção de bioplásticos, cosméticos, fármacos e bioenergia, movimentando cerca de R$ 8,7 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Já no Rio Grande do Norte, resíduos da produção de camarão vêm sendo utilizados para a extração de quitosana, um biopolímero com aplicações nas áreas médica, agrícola e alimentícia.
Para a geógrafa e coordenadora do Data Nordeste, Ludmilla Calado, “a bioeconomia tende a se firmar como eixo estruturante das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável”.
A integração entre ciência, inovação e uso responsável dos recursos naturais, segundo ela, representa uma oportunidade concreta de ampliar a competitividade regional e gerar novas cadeias produtivas.
Esse movimento já se reflete nas estratégias de planejamento regional. A inovação foi incorporada como um dos eixos centrais do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), reforçando o compromisso com um modelo de crescimento baseado em conhecimento e sustentabilidade.
Como parte dessa agenda, a Sudene vem ampliando o apoio a iniciativas de pesquisa e desenvolvimento voltadas à valorização de produtos da biodiversidade e à geração de novas oportunidades econômicas.
Mais do que um indicador acadêmico, o avanço das patentes em biotecnologia revela uma mudança estrutural em curso: o Nordeste passa a transformar sua diversidade natural e sua capacidade científica em ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico da Região.

