Os Correios informaram nesta quinta-feira (23), um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, o valor mais de três vezes superior ao valor de 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões. Do valor total, R$ 6,4 bilhões foram apenas com despesas com precatórios, principal causa do aumento.
Ainda segundo informações apresentadas pela empresa, a receita bruta caiu 11,35% em relação a 2024, indo para R$ 17,3 bilhões.
Ofício Interno
Em um ofício interno, os Correios detalharam os resultados financeiros de 2025 e apontaram os principais fatores para o prejuízo recorde. A queda na receita foi atribuída, sobretudo, à redução no volume de encomendas internacionais, que caiu 65,5% em relação ao ano anterior, impactada por mudanças nas regras de tributação de importações de baixo valor.
O documento também indica a reserva de R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas, relacionadas ao pagamento de adicionais como o de atividade externa e periculosidade. Esse tipo de provisão é adotado quando há expectativa de desembolsos futuros.
Plano de Demissão Voluntária
O Plano de Demissão Voluntária (PDV) também foi adotado para conter as despesas com pessoal e equilibrar as contas da estatal.
De acordo com o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, entre entre 3 de fevereiro e 7 de abril deste ano, 3.181 funcionários aderiram ao programa, o que gerou uma expectativa de redução de gastos de cerca de 40%.
Considerando os PDVs lançados em 2024 e 2025, o total de adesões chega a 3.756 empregados, com uma economia estimada em R$ 147,1 milhões neste ano e uma projeção de R$ 775,7 milhões em 2026, ainda de acordo com dados divulgados pela empresa.
No fim de 2025, a empresa também firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos, com garantia da União e prazo até 2040. O recurso foi utilizado principalmente para cobrir despesas acumuladas, com impacto limitado no resultado imediato. O contrato prevê carência de três anos e início dos pagamentos a partir de dezembro de 2029, com juros definidos em 115% do CDI.

