O Governo do Piauí vai investir R$ 6,7 milhões para ampliar a produção de leite e reduzir o déficit entre oferta e consumo no estado, onde a produção diária ainda é insuficiente para atender à demanda da população. Os recursos serão aplicados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Leite, que será expandido de 49 para 75 municípios em 2026.
A ampliação do programa foi anunciada na sexta-feira (17), no município de Paulistana, durante agenda da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) voltada ao fortalecimento das bacias leiteiras nos Vales do Itaim e do Guaribas, no Sul do estado.
Segundo dados da Cooperativa de Produtores de Leite do Piauí (Coopileite), o estado apresenta um desequilíbrio significativo entre produção e consumo. A estimativa é de uma produção média de cerca de 200 mil litros por dia, frente a um consumo aproximado de 1,3 milhão de litros diários.
Nesse contexto, o aumento dos recursos para o PAA Leite representa uma estratégia para estimular a produção local, garantir mercado para os agricultores familiares e reduzir a dependência de leite vindo de outros estados.
O investimento previsto para 2026 mais que dobrou em relação ao ano anterior, passando de R$ 2,8 milhões em 2025 para R$ 6,7 milhões. Com a ampliação, o programa passará a atender 75 municípios piauienses, incluindo 26 novas cidades, entre elas localidades dos territórios Vale do Itaim e Vale do Guaribas, onde o governo busca consolidar uma nova bacia leiteira.
A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destacou o potencial produtivo da região e afirmou que a expansão do programa faz parte de uma estratégia de desenvolvimento territorial.
“Isso faz parte de uma série de incentivos para a criação de uma nova bacia leiteira. Antes, o PAA Leite era concentrado na região Norte, e, para ampliar o programa, investimos nessa nova rota. Temos potencial para consolidar uma das maiores bacias do estado e essa parceria, junto com os investimentos e os veículos, é fundamental”, afirmou.
Além do aumento dos recursos, o governo firmou uma cooperação entre a SAF e a Coopileite para organizar a cadeia logística do leite. Pelo acordo, a cooperativa ficará responsável pela coleta do produto junto aos produtores e pelo repasse aos laticínios, que realizarão o processamento e a distribuição aos municípios.
Para reforçar essa estrutura, foram entregues dois caminhões à cooperativa — um com baú refrigerado e outro com tanque isotérmico — destinados ao transporte do leite e à melhoria das condições de conservação do produto.
A garantia de compra por meio do programa também cria um ambiente mais previsível para os produtores. Pelo PAA, o litro do leite é adquirido a R$ 2,91, valor superior ao praticado pelo mercado informal em muitas regiões do estado.
Uma das beneficiadas é a agricultora familiar Francimar Sousa, do município de Paulistana. Ela conta que possuía quatro vacas e vendia a produção de porta em porta, enfrentando dificuldades para obter preço justo. Com a instalação de um tanque de resfriamento pela prefeitura, em parceria com o laticínio Vale do Leite, passou a integrar a cadeia produtiva formal.
“Estamos na expectativa do PAA Leite para melhorar nossa renda. Seguimos trabalhando para alcançar uma boa média de produção. Espero poder comprar mais vacas e investir em uma ordenha mecânica, porque, às vezes, o trabalho manual é difícil”, relatou.
Além do impacto econômico para os produtores, o programa também cumpre uma função social. O leite adquirido é destinado prioritariamente a gestantes, crianças de até cinco anos e idosos em situação de vulnerabilidade, atendidos pelos Centros de Referência em Assistência Social (Cras).
Uma das exigências do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social é que a distribuição ocorra em municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os municípios participantes devem prestar contas e apresentar documentação comprobatória para manter o recebimento do produto

