Nordeste concentra 25% das startups do Brasil e lidera crescimento proporcional em 2025

O cenário da inovação no Brasil está mudando. O Nordeste já é a segunda região com mais empresas inovadoras no país, atrás apenas do Sudeste, liderando o crescimento proporcional, de acordo com o Sebrae Startups Report Brasil 2025. 

O Sudeste lidera o ranking nacional e responde por 36% das startups brasileiras. Enquanto isso, o Nordeste já reúne 25,2%, à frente do Sul (20,3%), Centro-Oeste (9,7%) e Norte (8,8%). 

O avanço nordestino consolida um modelo de inovação menos concentrado no eixo tradicional Rio-São Paulo. “O Nordeste é o segundo polo de startups do Brasil. Isso mostra o potencial que é a região”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima.

O levantamento considerou 22.869 startups mapeadas pelo Sebrae em todo o país até dezembro de 2025, número 26,7% superior ao registrado no ano anterior. Em 2023, eram 11.336 empresas; em 2024, 18.056; e, agora, o total se aproxima de 23 mil negócios. Os dados indicam expansão acelerada do ecossistema e maior presença regional das startups no Brasil.

Pernambuco lidera expansão entre os estados

No recorte estadual, São Paulo, com 5.119 startups, Santa Catarina (2.239) e Minas Gerais (1.385) permanecem como os maiores polos, representando juntos 38,3% do total mapeado.

No entanto, Pernambuco se destacou no ritmo de crescimento, com alta de 72,2%, maior avanço percentual entre os estados líderes. O desempenho foi guiado pelo fortalecimento do ecossistema local, ancorado por universidades, parques tecnológicos e programas de fomento.  

O ranking municipal aponta a descentralização do ecossistema. São Paulo lidera, com 2.416 startups (10,6% do total) e crescimento de 26,4%.

Mas capitais fora do eixo tradicional também ganham espaço: Recife soma 640 empresas (+46,1%) e Fortaleza, 571 (+40,6%). Teresina aparece entre as dez primeiras, com 440 startups e alta de 19,2%. 

Ecossistema nacional cresce e se diversifica

O relatório aponta que o ecossistema nacional cresce com foco no mercado corporativo. Mais de 70% das startups mapeadas pelo Sebrae atuam nos modelos B2B ou B2B2C, fornecendo tecnologia para empresas. Tecnologia da Informação lidera (14,5%), seguida por Saúde e Bem-Estar (11,8%), Educação (8,5%), Agronegócio (7,5%) e Impacto Socioambiental (6,1%).

O modelo de receita predominante é o SaaS, adotado por 39,1% das startups, enquanto software (39,3%) e serviços (35,8%) concentram a maior parte dos produtos ofertados. A digitalização das economias regionais têm impulsionado a expansão fora do eixo tradicional, ao reduzir barreiras geográficas e ampliar o alcance nacional das startups desde a origem. 

Pipeline jovem e desafios de escala

O estudo mostra ainda que o ecossistema nacional de startups permanece majoritariamente jovem: 37,7% das startups estão na fase de validação e 25,1% em ideação. A concentração em estágios iniciais indica renovação constante da base empreendedora.

Mais da metade das startups do Brasil ainda não gera receita, dado compatível com o estágio de maturidade. Ao mesmo tempo, a alta adoção de tecnologias como Inteligência Artificial (51,8%), APIs (26,7%) e computação em nuvem (22,6%) demonstra que as empresas já nascem digitais e orientadas a dados. 

O desafio do próximo ciclo será transformar crescimento em escala, ampliar acesso a mercados maiores e aumentar a complexidade tecnológica, hoje concentrada em software e serviços, com baixa presença de hardware e deep tech.

Sebrae amplia atuação nacional

O relatório também evidencia o papel institucional no fortalecimento do ecossistema. Em 2025, o Sebrae realizou 93.288 atendimentos a startups em todo o Brasil, crescimento de 17,2% em relação ao ano anterior. A maior parte das interações ocorre por meio de orientação (39,87%), ferramentas digitais (13%), palestras (12,67%). e consultorias (11,47%). A busca por gestão da inovação (39,85%) lidera a demanda. 

“A plataforma Sebrae Startups, juntamente com o Observatório Sebrae Startups, tem permitido uma atuação qualificada e focada do Sebrae e de seus parceiros para o desenvolvimento de iniciativas em prol dos empreendedores brasileiros”, afirma o Diretor Técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick.

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Ana Júlia Silva

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