No Ceará, alimentos que seriam exportados para os EUA devem ser vendidos em supermercados

Flávia Rabelo e Luciano Rodrigues, do Diário do Nordeste

 

Supermercados e atacadistas do Ceará devem comercializar produtos que anteriormente eram exportados para os Estados Unidos. Segundo o governador Elmano de Freitas (PT), está sendo negociado com o setor cearense a compra desses alimentos mediante acordos de tarifas e valores.

Entre os produtos em negociação estão pescados, castanha de caju, água de coco e mel de abelha. O assunto foi tratado pelo governador durante visita a Brasília, nesta quinta-feira (7).

“Hoje, tivemos reunião com o setor de supermercados do Ceará para que alguns produtos os próprios supermercados do Ceará possam adquirir. Com isso, a gente também incentiva de alguma maneira para equilibrar o preço e dando escoamento à produção que seria exportada e não foi, mas não vai ser perdida”, declarou o governador.

Elmano anunciou, ainda em Brasília, que será uma medida para minimizar os impactos do tarifaço, mas que o Governo do Ceará não vai pagar o preço de exportação por esses alimentos.

Acesu confirma reunião com setor de pescados

Cláudia Novais, presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu) informou que, nesta quinta-feira (7), foram realizadas duas reuniões com representantes de cadeias produtivas e do Governo do Estado.

“A Acesu e representantes da cadeia de pescados foram tratar de possibilidades de isenções, direcionamento para projetos sociais e absorção prioritária dos produtos impactados pelo varejo alimentar no estado”, explicou.

Nas negociações, está em definição quais serão os valores cobrados e pagos para os produtos que seriam exportados, além de quais serão selecionados pelo setor supermercadista local. Uma das solicitações é de priorizar a compra de produtos cearenses em detrimento de alimentos de outros locais do País.

“Os valores ainda estão sendo consolidados e qual será o tipo de produto. Há produtos alimentícios que estão na gama dos taxados com 50% que são adquiridos de outros estados, mas o segmento no Ceará já se prepara para priorizar os produtos locais”.

As negociações envolvendo setor supermercadista e cadeias produtivas serão mediadas pelo Governo do Estado. A presidente da Acesu destacou que estão entre as possibilidades em análise pelo Poder Público subsídios e créditos para ambas as áreas, bem como facilidades logísticas e promoção de campanhas para consumo dos alimentos.

Solicitação é desejo antigo do agronegócio cearense, afirma Faec

As afirmações feitas por Cláudia Novais vão ao encontro de um dos temas da coletiva de imprensa desta quarta-feira (6), concedida por Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), e por Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Amílcar detalhou um estudo conduzido pela Faec sobre o consumo de frutas, legumes e verduras (FLV) no Ceará, que representa uma cadeia bilionária no setor supermercadista cearense, somente com a comercialização de alimentos que vêm de outros estados.

“Temos um estudo dizendo que, só de FLV de outros estados comercializados pelos supermercados do Ceará, deixamos de faturar R$ 4 bilhões. Se o cearense procurar consumir os produtos do Ceará, ajuda a melhorar a economia”, disse Amílcar Silveira, presidente da Faec

“Cerca de 50% de tudo o que é consumido no Ceará é proveniente de outros estados. Se forem consumidos os produtos daqui e os supermercados forem demandados, melhora. Já levamos essa demanda para a Acesu para fazer essa parceria”, completou Amílcar.

Nesta quinta-feira em Fortaleza, os secretários da Casa Civil, Chagas Vieira, e da Fazenda, Fabrízio Gomes, se reuniram com representantes do setor supermercadista para discutir a questão.

“Queremos fazer a intermediação entre o atacado e o varejo e os produtores de alimentos do Ceará mais impactados pelo tarifaço. A nossa disposição é de fazer com que esses produtos que seriam exportados para os EUA (…) possam ser mais comercializados e distribuídos no comércio aqui do Ceará e estejam nas prateleiras”, disse Chagas Vieira.

Foto que contém várias castanhas de caju dentro de uma saca
Legenda: Castanha de caju não entrou nas isenções do tarifaço, e deve ter parte da produção absorvida pelo mercado local Foto: Wandemberg Belém/Diário do Nordeste

O titular da Casa Civil informou ainda que a negociação terá que chegar a um acordo sobre valores e tarifas aplicadas, já que se tratavam de produtos a serem exportados.

Chagas Vieira ainda revelou que outras reuniões devem acontecer com o setor supermercadista, sendo as cadeias produtivas da castanha de caju, água de coco e mel prioritárias.

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Redacao RNE

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