Carvão lidera movimentação de cargas na ZPE Ceará e impulsiona crescimento em 2025

A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) Ceará, que integra o Complexo do Pecém, uma joint venture entre o Governo do Estado do Ceará e o Porto de Roterdã, iniciou 2025 com um recorde significativo em sua movimentação: ultrapassou 95 milhões de toneladas movimentadas desde o início de suas operações, em 2016.

 

Esse crescimento tem sido impulsionado especialmente pelo aumento expressivo na movimentação de carvão, que se destacou como o principal produto da free trade zone cearense no primeiro bimestre do ano.

 

Entre janeiro e fevereiro de 2025, a ZPE registrou um volume de 1,64 milhão de toneladas movimentadas em sua área alfandegada, um aumento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2024. O grande destaque foi o carvão, que alcançou 437.595 toneladas transportadas, representando um crescimento expressivo de 192,62% na comparação com os dois primeiros meses do ano anterior.

 

Os outros produtos de maior relevância foram o minério de ferro, que registrou 547.601 toneladas e um aumento de 25,1%, e as placas de aço, com 471.644 toneladas e um desempenho 24,1% superior ao do mesmo período de 2024. Juntas, essas três cargas registraram um crescimento de mais de 48% em relação ao primeiro bimestre do ano passado, consolidando a ZPE como um importante hub industrial e logístico.

 

“Ultrapassar a marca de 95 milhões de toneladas movimentadas é resultado direto do fortalecimento da ZPE Ceará como plataforma industrial estratégica. Hoje, além de consolidarmos um hub siderúrgico robusto, nos preparamos para liderar a transição energética com o Hub de Hidrogênio Verde. Esses avanços só têm sido possíveis graças à liderança firme e visionária do governador Elmano de Freitas, que tem sido decisiva para a consolidação e a ampliação da ZPE nos últimos dois anos”, afirma o presidente da ZPE, Fábio Feijó.

 

Para o diretor de Operações da ZPE, Michel Mourão, “esse resultado é um marco a ser seguido e aprimorado. É entusiasmante saber que o Estado do Ceará conta com uma ferramenta desse porte, com resultados tão expressivos. Vamos trabalhar para superar ainda mais essas marcas”.

 

Destinação do carvão

 

O carvão movimentado na ZPE Ceará tem como principal destino a siderurgia, sendo essencial para os altos-fornos utilizados na produção de ferro-gusa e aço. A usina siderúrgica instalada no Setor I da ZPE demanda grandes volumes desse insumo para abastecer seu processo produtivo. Além disso, parte do carvão pode ser reexportada para outros países ou utilizada em indústrias que dependem desse recurso energético.

 

A relação entre a alta na movimentação de carvão e o crescimento das placas de aço mostra a importância da cadeia siderúrgica na ZPE Ceará, que se consolidou como um polo estratégico para essa indústria no Brasil. O Estado é o 4º maior produtor de aço do Brasil, que tem como ponto de escoamento o Porto do Pecém.

 

O Ceará representa cerca de 9,5% da produção total de aço bruto do Brasil, tendo a unidade da ArcelorMittal Pecém uma de suas principais indústrias e produz 22% do total da empresa no País. Além disso, a unidade da ArcelorMittal no Pecém é responsável por 100% da produção de aços planos no Nordeste.

 

No entanto, as recentes tarifas impostas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio pelo governo dos Estados Unidos podem trazer impactos significativos para essa cadeia produtiva.  O ferro e o aço são os principais produtos exportados do Brasil para o país norte-americano, atrás apenas do Petróleo.

 

A siderurgia da ZPE, que tem os EUA como um dos principais mercados, pode enfrentar desafios na competitividade e precisar buscar novos destinos para suas exportações. Essa mudança pode influenciar diretamente a demanda por carvão e placas de aço, afetando o volume total de movimentação de cargas na região. O site da revista NORDESTE procurou saber quais impactos teriam sobre o setor, mas a ZPE Ceará respondeu que “por ora não iria se posicionar sobre o assunto”.

 

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Luciana Leão

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