O filme Ainda Estou Aqui, do diretor Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional de 2025, decidiu a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas neste domingo (2/3), que deu a estatueta à produção brasileira (leia aqui todos os vencedores).
É a primeira vez que uma obra do Brasil ganha o prêmio, dado aos longa-metragens produzido fora dos Estados Unidos e com diálogos predominantemente em uma língua diferente do inglês.
Em 1960, o filme Orfeu Negro venceu na categoria de Melhor Filme Internacional (então “filme estrangeiro”). Mas, apesar de ter sido filmado no Brasil, falado em português e com atores brasileiros, a produção garantiu um Oscar à França, país do diretor Marcel Camus.
O país também tinha chegado perto da estatueta nessa categoria com O Pagador de Promessas (1963), O quatrilho (1996), O que é isso companheiro? (1998) e Central do Brasil(1999), todos indicados.


Os benefícios de o Brasil ganhar o seu primeiro Oscar são duplos, primeiro porque se trata de um prêmio abiscoitado no concorrido mercado internacional das artes fato que, além de melhorar nossa reputação no exterior que costuma nos ver como o país do futebol e do carnaval, fortalece o crescimento da indústria cinematográfica brasileira.
Porém, o maior ganho foi proporcionado pelo “timing” de lançamento deste filme servindo de alerta para a população de que nossos conflitos jamais deverão ter suas soluções buscadas recorrendo a Ditaduras e Autocracias, regimes normalmente apoiados e depois capturados pela elite econômica e financeira.
Tal captura, conduz ao aumento dos lucros, não pelo aumento da produtividade, mas porque as empresas passam a externalizar seus custos de produção dividindo-os com toda a sociedade. Por exemplo, as grandes corporações ao recorrerem a “lobbies” sobre o mandatário para não respeitar as leis ambientais, reduzem investimentos e custos de produção. Porém os custos com a recuperação de mananciais hídricos, do solo exaurido pela monocultura na forma de “plantations”, dentre outros, são todos repartidos com a sociedade. Produzir assim é estar no melhor dos mundos!
Não se enganem, as soluções propostas por estes regimes de exceção confundem aumento de PIB com desenvolvimento e acabam provocando uma grande concentração da renda acompanhado de um brutal aumento da violência no país.
Esses potenciais ditadores e quem os apoia, deveriam saber que o desenvolvimento de uma nação somente ocorre quando os frutos do crescimento econômico são repartidos de forma equânime por toda a sociedade.
Eng. Lourinaldo Nobrega