Levantamento da Sudene mostra liderança de cidades baianas, força do agronegócio no Matopiba e participação de polos industriais e produtores de petróleo no comércio exterior da região
De janeiro a setembro de 2026, 415 municípios nordestinos registraram exportações que somaram US$ 20,6 bilhões. Desse total, US$ 11 bilhões foram movimentados pelos dez municípios com maior valor de vendas ao mercado internacional, segundo levantamento da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O ranking evidencia a diversidade da pauta exportadora regional, que reúne petróleo e derivados, soja, algodão, minerais, produtos químicos, celulose, carnes e automóveis. A Bahia aparece com quatro municípios entre os dez primeiros, enquanto o Maranhão tem três representantes.
Na liderança está São Francisco do Conde (BA), na Região Metropolitana de Salvador, com US$ 2,44 bilhões em exportações. Os óleos de petróleo estão entre os principais produtos comercializados, com Singapura e Panamá figurando entre os destinos das vendas.
Em segundo lugar, Luís Eduardo Magalhães (BA) registrou US$ 2,24 bilhões. Localizado no oeste baiano, o município tem uma pauta marcada pelo agronegócio, especialmente pela soja triturada, além de produtos têxteis. China e Países Baixos estão entre os principais mercados compradores.
Agronegócio e indústria dividem espaço
O Maranhão tem três municípios entre os dez maiores exportadores. A capital, São Luís, movimentou US$ 1,3 bilhão, com destaque para produtos químicos industriais e soja. Balsas, importante polo agrícola do Matopiba, fronteira de expansão agropecuária que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, alcançou US$ 1 bilhão, principalmente com soja e algodão. China e Egito estão entre os destinos das mercadorias.
Imperatriz, também no Maranhão, registrou US$ 660,6 milhões em exportações, impulsionadas por pastas de madeira e carnes bovinas. Os Estados Unidos e os Países Baixos aparecem entre os principais mercados.
Na Bahia, Camaçari somou US$ 748,7 milhões em vendas externas, com participação de produtos químicos industriais, pastas de madeira e plásticos. Os Estados Unidos e a China estão entre os principais parceiros comerciais. Já Jacobina exportou US$ 550,2 milhões, com destaque para o ouro, cujo principal destino é o Canadá.
No Ceará, São Gonçalo do Amarante, município onde está localizado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, alcançou US$ 941,9 milhões. Metais comuns e minerais estão entre os produtos mais relevantes, com Estados Unidos e México entre os principais destinos.
Automóveis e petróleo também se destacam
Em Pernambuco, Goiana registrou US$ 519,7 milhões em exportações. Os automóveis de passageiros lideram a pauta, com vendas de US$ 340,6 milhões para a Argentina e US$ 91 milhões para o México.
No Rio Grande do Norte, Guamaré movimentou US$ 519,6 milhões, com destaque para óleos de petróleo e derivados. O Panamá aparece entre os principais destinos das vendas externas.
Os números mostram que a inserção do Nordeste no comércio internacional não depende de uma única atividade. A região reúne polos industriais, produção mineral e energética e áreas de forte expansão agrícola, com perfis distintos de produtos e mercados compradores.
Ranking dos dez maiores exportadores
Valores de janeiro a setembro de 2026. Dados compilados pela Sudene.
| Posição | Município | Estado | Exportações |
|---|---|---|---|
| 1 | São Francisco do Conde | BA | US$ 2,44 bi |
| 2 | Luís Eduardo Magalhães | BA | US$ 2,24 bi |
| 3 | São Luís | MA | US$ 1,30 bi |
| 4 | Balsas | MA | US$ 1,00 bi |
| 5 | São Gonçalo do Amarante | CE | US$ 941,9 mi |
| 6 | Camaçari | BA | US$ 748,7 mi |
| 7 | Imperatriz | MA | US$ 660,6 mi |
| 8 | Jacobina | BA | US$ 550,2 mi |
| 9 | Goiana | PE | US$ 519,7 mi |
| 10 | Guamaré | RN | US$ 519,6 mi |

