BNDES aprova quase R$ 25 milhões para dois projetos de conservação e restauração de corais em nove estados

Do Maranhão ao Espírito Santo, projetos vão mapear, monitorar e recuperar ambientes recifais ao longo de 3 mil quilômetros da costa brasileira

O BNDES aprovou R$ 24,95 milhões em recursos não reembolsáveis para dois projetos de conservação, monitoramento e restauração de ambientes coralíneos em nove estados brasileiros, do Maranhão ao Espírito Santo. Somadas as contrapartidas dos parceiros, as iniciativas movimentarão R$ 50,87 milhões e percorrerão cerca de 3 mil quilômetros da costa.

Os projetos integram a chamada pública BNDES Corais e serão executados pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST), em articulação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e pelo WWF-Brasil e Fundação Grupo Boticário.

O maior dos dois projetos, “De Manuel Luís a Trindade”, receberá R$ 16,36 milhões do BNDES e terá ações em 14 unidades de conservação no Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Espírito Santo. Estão previstas atividades de mapeamento e monitoramento de recifes, conservação da biodiversidade, manejo de espécies invasoras e incentivo ao turismo de base comunitária.

A iniciativa alcançará áreas de grande relevância ambiental, como o Parcel Manuel Luís, no Maranhão; Jericoacoara, Atol das Rocas, Barra do Rio Mamanguape, Fernando de Noronha, Costa dos Corais, Abrolhos e a Cadeia Vitória-Trindade.

Já “A Virada dos Recifes de Coral”, do WWF-Brasil e da Fundação Grupo Boticário, terá investimento de R$ 17,86 milhões, dos quais R$ 8,59 milhões serão aportados pelo BNDES. O projeto atuará principalmente em Tamandaré (PE), Salvador e Abrolhos (BA) e Fortaleza (CE), além de Maragogi (AL), com ações de pesquisa, restauração, turismo sustentável, educação ambiental e apoio a negócios de impacto ligados à conservação.

Em Pernambuco, uma das frentes prevê a continuidade do monitoramento e da restauração de áreas recifais em Tamandaré, além de estudos sobre qualidade da água, sedimentação, pesca e turismo. Também serão pesquisadas colônias de corais mais resistentes ao branqueamento, com técnicas que incluem criopreservação e formação de berçários para futura reintrodução.

Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais importantes e vulneráveis dos oceanos. Eles abrigam mais de 25% da vida marinha e ajudam a proteger a costa, manter a biodiversidade e sustentar atividades como pesca e turismo. No Brasil, vêm sofrendo com o aumento da temperatura dos oceanos, episódios de branqueamento, poluição, sobrepesca e ocupação desordenada da zona costeira.

“A conservação dos recifes de coral envolve, ao mesmo tempo, proteção da biodiversidade, produção de conhecimento e atividades econômicas ligadas a esses ambientes”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Com as duas novas operações, o BNDES Corais passa a reunir sete projetos, que somam cerca de R$ 108,5 milhões em investimentos, entre recursos do banco e contrapartidas dos parceiros.

A execução dos novos projetos está prevista para 36 meses.

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Luciana Leão

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