A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) apresentou nesta terça-feira (25) uma agenda de propostas para o próximo governo federal, de 2027 a 2030, com foco em armazenamento de energia, expansão da geração solar e ampliação do acesso à eletricidade.
A entidade propõe a contratação de sistemas de armazenamento equivalentes a 8 GW de capacidade, a instalação de 18 GW em novas grandes usinas solares e a ampliação do acesso à energia limpa para 3 milhões de unidades consumidoras até 2030. A agenda foi apresentada durante a Intersolar South America, em São Paulo.
Na área de armazenamento, a ABSOLAR defende leilões anuais de capacidade, com participação de diferentes tecnologias, além do uso de baterias associadas a sistemas solares de geração própria e grandes usinas fotovoltaicas.
A proposta responde, segundo a entidade, ao aumento dos cortes de geração renovável. Em 2025, esse desperdício teria representado mais de R$ 6 bilhões, enquanto o sistema elétrico continuou recorrendo à geração termelétrica nos períodos de maior demanda.
“Precisamos avançar de um modelo em que parte da energia renovável disponível é desperdiçada para um sistema capaz de armazená-la e utilizá-la quando ela for mais necessária”, afirma Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR.
A associação também propõe equiparar a tributação das baterias à aplicada às fontes renováveis. Segundo a ABSOLAR, a carga tributária sobre sistemas de armazenamento pode chegar a 84,8%.
Novas cargas
A segunda frente da agenda busca transformar a disponibilidade de energia renovável em fator de atração de investimentos. A entidade defende políticas para estimular a instalação de indústrias eletrointensivas de baixo carbono, data centers, projetos de hidrogênio verde e outras atividades intensivas em eletricidade limpa.
Para isso, a ABSOLAR considera necessário ampliar o planejamento da transmissão de energia, aproximando a infraestrutura das regiões com maior disponibilidade de geração e potencial para receber novos investimentos.
A proposta prevê 18 GW de novas grandes usinas solares até 2030. De acordo com a associação, os projetos podem atrair R$ 59,4 bilhões em investimentos para acompanhar o crescimento da demanda por energia, sem necessidade de novos subsídios.
“O Brasil tem uma vantagem estratégica que poucos países possuem: gera grandes quantidades de eletricidade renovável e competitiva. O próximo passo é transformar essa abundância em uma vantagem econômica, atraindo indústrias, data centers, hidrogênio verde e novos negócios intensivos em eletricidade limpa”, afirma Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR.
Energia para áreas isoladas
A terceira frente, chamada de “Sol para Todos”, prevê levar sistemas solares associados a baterias para 3 milhões de unidades consumidoras, sendo 500 mil em sistemas isolados.
A entidade também propõe substituir 100 mil geradores a diesel por sistemas solares com armazenamento e realizar leilões anuais para atendimento de sistemas isolados, com participação mínima de 50% de fontes renováveis.
Segundo a ABSOLAR, as três frentes têm como objetivo reduzir desperdícios e custos estruturais do sistema elétrico e aproveitar melhor a geração renovável disponível no país, sem a criação de novos encargos tarifários.

