Por Paulo Galvão Júnior*
Um dado alarmante, no Brasil: são 83,5 milhões de inadimplentes, segundo SERASA
Paulo Galvão Júnior (*)
O recente “Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil”, divulgado pela SERASA referente ao mês de maio de 2026, revela um cenário extremamente preocupante para a economia brasileira. O levantamento mensal da SERASA aponta a existência de 83,5 milhões de pessoas inadimplentes no País.
Cada inadimplente possui, em média, uma dívida de R$ 6.877,23, totalizando R$ 574 bilhões com dívidas em atraso. Isso significa que, em maio de 2026, 50,85% da população adulta brasileira encontrava-se em situação de inadimplência, conforme a SERASA.
Entre os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, o Amapá lidera o ranking, com 65,16% de sua população adulta inadimplente. Em contrapartida, o Piauí apresenta o menor percentual, com 41,02%.
Quanto à composição das dívidas, os principais segmentos credores são bancos e cartões de crédito, responsáveis por 27,4% do total, seguidos por utilities (energia, água e gás), com 21,3%, financeiras, com 19,5%, e serviços, com 11,7%.
No recorte por gênero, as mulheres representam 50,5% do total de pessoas inadimplentes, enquanto os homens correspondem a 49,5%.
A maior concentração de inadimplentes está na faixa etária de 41 a 60 anos de idade, que responde por 35,7% do total em maio, segundo dados da SERASA.
Vale destacar que, em janeiro de 2023, existiam 70,0 milhões de pessoas inadimplentes, número que aumentou para 83,5 milhões em maio de 2026. Isso representa um crescimento absoluto de 13,5 milhões de pessoas que possuem contas atrasadas e um aumento relativo de 19,28% no período de 40 meses. Em maio de 2026, o Brasil alcançou um contingente de inadimplentes equivalente à população estimada da Alemanha.
O Brasil registrou um novo recorde de pessoas inadimplentes em maio de 2026. Em outras palavras, a situação financeira das famílias brasileiras está pior do que em janeiro de 2023. A classe média vem perdendo poder aquisitivo diante da elevada carga tributária e dos gastos considerados desnecessários.
Na minha avaliação, as principais causas da elevada inadimplência no País são o desemprego, as altas taxas de juros, a diminuição da renda, o aumento do custo de vida, os gastos emergenciais e a baixa Educação Financeira da população.
Entretanto, outros fatores também contribuem para esse quadro alarmante nas cinco regiões do Brasil, como a redução do poder de compra das famílias, o uso excessivo de crédito sem planejamento adequado, a elevada informalidade no mercado de trabalho e o crescimento insuficiente da renda em relação às despesas mensais.
Diante desse cenário preocupante, o número de brasileiros com dívidas em atraso já supera a população de dois Canadás, um país desenvolvido com 41,4 milhões de habitantes.
A elevada inadimplência representa um grave problema para a economia brasileira, tornando essencial a adoção de políticas públicas que ampliem a Educação Financeira da população, promovam a geração de emprego e renda, fortaleçam os programas de renegociação de dívidas, reduzam os juros e diminuam a carga tributária.
Finalizando, a superação desse enorme desafio de mais da metade da população adulta está negativada no Brasil, é essencial para a saúde financeira das famílias e das empresas, como também, para o fortalecimento do consumo, do investimento e do crescimento econômico do país mais populoso, mais rico da América do Sul.

