PSD de Kassab é o partido que mais incomoda os adversários, por José Natal

Claro que ainda é cedo, e eleição é uma caixinha de incertezas. Mas quando tudo está sendo projetado para dar certo, acaba dando certo mesmo. A exemplo do que fez em 2024, quando não se candidatou a nenhum cargo político, e como líder de seu partido (PSD), acabou elegendo prefeitos em 887 municípios (inclusive em 5 capitais), Gilberto Kassab, sem alarde, e costurando acordos Brasil afora, já sinaliza uma vez mais que vem aí disposto a manter sua fama de bom articulador.

Ponderado, nada radical e atento à química entre candidatos e comunidades, seus movimentos incomodam adversários, e animam aliados que já o conhecem de longa data. Aos 66 anos, com respeitável trajetória política pelos corredores do poder, Kassab, sempre atual, a cada eleição acrescenta ao processo ações obrigatoriamente repercutidas.

Foi dele a opinião (ou decisão) de afastar de vez a possibilidade do Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) de se lançar candidato à presidência da república, mesmo contrariando parte do eleitorado. O mesmo acontecendo com Ratinho Júnior, Governador do Paraná, já com seu nome cogitado para a disputa, talvez o mais bem aceito pelas pesquisas de opinião pública.

Ratinho também, é verdade, manifestou interesse em continuar como Governador paranaense. A opção pela indicação do Governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de seu partido, como candidato à presidência, causou frisson entre os direitistas que apoiam Flávio Bolsonaro, um possível confronto em algum momento da eleição.

Por mais de uma vez, Kassab sinalizou não acreditar na candidatura de Flávio. Sua expertise política, segundo especialistas, transparece com ênfase em relação ao ambiente político de Brasília, Capital da República, onde tudo acontece, e repercute.

Citam, por exemplo, que ele como presidente do partido, em reunião festiva, lançou ex-Governador José Roberto Arruda como candidato ao Palácio do Buriti, a época com Ibaneis Rocha (PMD), ainda Governador, deflagrando ali a pré-campanha de seu indicado, sob holofotes e euforia de admiradores.

Arruda, conforme pesquisas recentes, é o mais forte concorrente às eleições na disputa com Celina Leão, que assumiu o cargo de governadora após a saída de Ibaneis Rocha. Na última quinta-feira, em Brasília, Kassab confirmou o convite a Paulo Octávio, Presidente do PSD do Distrito Federal, para que integre a chapa de Arruda, como candidato ao Senado Federal,cargo que ele já ocupou de fevereiro de 2003 a dezembro de 2006. Deixou o Senado para ocupar o cargo de vice-governador do DF, com Arruda Governador, ambos eleitos em 2002.

A escolha de Kassab, indicando Arruda como Governador e Paulo Octávio como Senador, na opinião de partidários e aliados, fortalece a chapa do partido na disputa, amplia as chances de vitória em um possível embate com o PMB, partido da governadora Celina, hoje à frente nas pesquisas.

Bom que se diga que as indicações e aprovação dos nomes dos candidatos (de todos os partidos) dependem ainda das convenções, que serão realizadas de 20 de julho a 5 de agosto próximos. Com 43 deputados e 13 senadores em atuação no Congresso Nacional, o Partido Social Democrático (PSD), presidido por Gilberto Kassab, administra hoje quatro estados (Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Sul e Paraná), unidades da federação com potencial de votos certamente influente nas eleições de outubro, para todos os cargos…

Desnecessário dizer o peso que isso representa, mais relevante ainda pela liderança que tem. O cenário eleitoral que se avizinha, ao que tudo indica, será dos mais acirrados. Candidato a nada, por ironia, Gilberto Kassab, gostem, admitam ou não, os adversários terão que atura-lo como franco favorito entre os possíveis vencedores da próxima eleição.

Sabe articular com a leveza que a democracia exige. Dispensa grosserias e agressões verbais corriqueiras e, acima se tudo, já demonstrou por algumas dezenas de vezes extrema habilidade na incansável e absolutamente necessária busca de votos, o que de fato realmente interessa. O resto é firula.

José Natal
Jornalista

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