Nesta superquarta dos juros, economistas enxergam um cenário macroeconômico que parece não dar sinais de alívio para o Banco Central brasileiro. A expectativa de um corte tímido da Selic – de 0,25 ponto percentual – tende a se concretizar nesta quarta (17), apesar de não ser um consenso no mercado financeiro, que se divide com quem aposte que o Copom encerre mais cedo o pequeno ciclo de afrouxamento das taxas.
O grande desafio para o BC é a combinação de fatores que resultam numa “tempestade perfeita”, com expectativas de inflação desancoradas, política fiscal expansionista e eventos climáticos extremos. Esse diagnóstico foi feito por economistas que participaram nesta terça-feira do evento “Oportunidades de Investimento no Brasil e no mundo”, realizado pela Inter Asset.
Gustavo Pessoa, que e sócio fundador da Legacy Capital, avalia que existe uma “disputa” entre a política monetária e a política fiscal. Segundo ele, enquanto o BC mira a meta de 3% para a inflação, o fiscal parece agir por uma meta de 5%.
Além do fiscal, o economista cita os efeitos do projeto que acaba com a escala 6×1. A avaliação é de que a mudança eleve os custos para o setor produtivo, que terá de compensar a queda de horas trabalhadas pelos colaboradores.
Pessoa diz que a 6×1 já entra na conta dos analistas do mercado financeiro em suas projeções macroeconômicas e lembrou do Boletim Focus, que tem divulgado um aumento das expectativas para o IPCA e os juros neste ano.
*Com CNN Money

