Por Luciana Leão
O Sertão pernambucano está de luto. Salgueiro, terra que viu nascer Raimundo Carrero em 1947, despede-se de um de seus filhos mais ilustres e a literatura brasileira perde uma de suas vozes mais singulares. O escritor faleceu na madrugada desta terça-feira, aos 78 anos, deixando uma obra que transcende o tempo e continuará ecoando na cultura nacional.
Carrero transformou a experiência sertaneja em literatura de alcance universal. Com uma escrita intensa, marcada pela reflexão sobre a alma humana, a fé, os conflitos e as paixões, construiu uma trajetória admirada por leitores, críticos e escritores de várias gerações. Sua obra, profundamente enraizada nas tradições nordestinas, projetou Pernambuco para além das fronteiras do país.
Jornalista, romancista, professor e formador de talentos, Raimundo Carrero foi também um incansável defensor da cultura. Integrante do Movimento Armorial, ao lado de Ariano Suassuna, ajudou a fortalecer uma visão de arte que valorizava as raízes populares sem abrir mão da sofisticação estética.
Ao longo de décadas, dedicou-se não apenas à produção literária, mas também à formação de novos autores. Sua Oficina de Criação Literária tornou-se referência nacional e contribuiu para o surgimento de importantes nomes da literatura contemporânea.
Com sua partida, encerra-se uma trajetória brilhante, mas permanece vivo um legado construído com palavras, ideias e generosidade intelectual.
Sim, generosidade. Essa jornalista que aqui escreve ouviu pessoalmente muitos conselhos do mestre Raimundo Carrero.
Ele deixa os livros, os ensinamentos e a certeza de que sua voz continuará presente entre aqueles que encontram na literatura uma forma de compreender a vida.

