Estreito de Ormuz: crise ameaça produção de tecnologias digitais e energia limpa, analisa ONU

A crise no Estreito de Ormuz, provocada pela guerra no Oriente Médio, pode causar uma escassez de minerais estratégicos, necessários para produzir equipamentos de energia renovável, tecnologias digitais e armamentos.

O diretor da Divisão de Energia Sustentável da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, Unece, disse que a crise não está afetando apenas o abastecimento global de energia, mas também de subprodutos do petróleo usados em operações de mineração.

Transição energética e economia digital sob risco

Dario Liguti afirmou que se a situação de conflito persistir, a escassez se tornará evidente e “forçará as indústrias a reduzir a produção de certas tecnologias” como painéis de energia solar ou telefones celulares.

Ele explicou que subprodutos da indústria do petróleo como diesel, enxofre e hélio são particularmente importantes na extração, refinamento e processamento de minerais críticos.

Esses elementos já estão ficando indisponíveis, pois no caso do enxofre por exemplo, 30% da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz.

Neste momento, as indústrias estão utilizando estoques e reservas existentes e intensificando a produção em outros lugares. Mas com o passar do tempo, a escassez desses ingredientes pode impactar os preços e a disponibilidade de vários equipamentos ligados à transição energética e à economia digital.

media:entermedia_image:235578c3-193e-45f3-8421-cac6b3e694a6
Climate Visuals/Victor Moriyama Painéis solares são instalados no telhado de um pequeno mercado em Rio Branco, no noroeste do Brasil

Inteligência artificial reforça demanda por minerais críticos

Liguti ressaltou que no momento a situação está sendo sentida em alguns mercados regionais, particularmente no Sul e no Sudeste Asiático, onde há uma intensa atividade de refino e processamento.

Ele explicou que esses minerais são considerados críticos não porque existem poucas reservas naturais, mas porque o fornecimento não consegue acompanhar a demanda e porque a produção é concentrada em poucos países.

Por exemplo, no caso do lítio, que é muito usado em baterias, inclusive de carros elétricos, a demanda deve crescer cinco vezes até 2040.

Liguti adicionou que o desenvolvimento da inteligência artificial e dos centros de dados que a impulsionam, aumenta ainda mais a demanda por esses minerais no curto prazo.

O especialista explicou que o processo de abrir uma nova mina leva em média 16 anos, o que demonstra o descompasso atual entre oferta e demanda.

media:entermedia_image:e4c01905-aa1f-4d9b-9694-7ba48c3c7585
Em um centro de dados, os servidores são computadores de alto desempenho que processam e armazenam dados

Situação permanece “extremamente volátil”

O Estreito de Ormuz é uma via marítima que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais, transportando uma parcela significativa do suprimento mundial de petróleo e gás. Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, no final de fevereiro, o tráfego marítimo caiu drasticamente e os custos dispararam.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, alertou na quarta-feira que a situação permanece “extremamente volátil”.

Arsenio Dominguez  declarou que “os ataques a navios comerciais e a sua apreensão são inaceitáveis”. Ele pediu que essas ações “imprudentes” cessem e fez um apelo para que os navios e tripulações afetados sejam libertados.

O chefe da agência marítima descreveu as condições enfrentadas pelos marinheiros na região como altamente precárias, citando relatos de “estresse constante devido a mísseis sobrevoando a área”. Quase 20 mil tripulantes de embarcações estão há várias semanas retidos no Estreito de Ormuz.

“Espaço crucial para a diplomacia”

Na terça-feira, o secretário-geral da ONU saudou a decisão dos Estados Unidos de prorrogar o cessar-fogo com o Irã.

António Guterres chamou a medida de “um passo importante rumo à desescalada e à criação de um espaço crucial para a diplomacia e o fortalecimento da confiança entre o Irã e os Estados Unidos”.

Ele pediu que todas as partes se abstenham de ações que possam comprometer o cessar-fogo e busquem uma solução duradoura por meio de negociações construtivas.

 

Fonte: ONUNEWS
Curta e compartilhe:

Luciana Leão

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *