Depois de muito ouvir e avaliar nomes de mulheres para o cargo de vice na sua candidatura à presidência da república, Flávio Bolsonaro (PL), optou pela a escolha de um alagoano pouco conhecido no cenário nacional para ocupar o cargo de vice.
Além de frustrar grande parte do eleitorado feminino, a escolha do Deputado Federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto (55 anos), de imediato já causa um certo frisson, e motiva preocupação a aliados e apoiadores. Pesa sobre o indicado uma acusação de estupro de uma menina de 13 anos tempos atrás.
Ainda na justiça, o caso certamente será motivo de muita polêmica durante a campanha. No caso de Flávio, o episódio gera frustração. Uma vez mais, o partido se mostra frágil e desacreditado, e o histórico bolsonarista em relação ao apoio às mulheres preocupa. Ainda está na memória de todos os episódios marcantes entre o próprio Flávio e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, que em gravação histórica lamentou atitudes do Senador em relação a ela.
E no quesito busca de votos, o efeito Alfredo Gaspar equivale a zero. Procurador do Estado de Alagoas, trabalhou para o Governo de Renan Filho, e quando se candidatou foi eleito com 102 mil votos, número considerado alto. Na ficha também há registros de sua atuação na CPI do INSS, pedido de prisão feito por ele para o filho de Lula, o Lulinha.
Por mais que o mundo político, que esbanja demagogia, espalhe e tente convencer a sociedade civil como um todo, que há real interesse da classe em valorizar a presença da mulher em quadros majoritários, os fatos desmentem essa falácia.
Filiada ao PP (Partido Progressista) do Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina, 72 anos, ex-Ministra da Agricultura do Governo Bolsonaro (o melhor quadro da gestão), cogitada para ser a vice na chapa de Flávio, por uma série de fatores não revelados, teve seu nome afastado da candidatura, frustrando um percentual elevado de eleitores que creditavam a ela o significado de seriedade e profissionalismo da campanha.
Fontes do ambiente político interno do PL, descontentes, assumem a frustração pelo fato. Priscila Costa,Deputada Federal pelo Ceará, 41 anos, filiada também ao Partido Liberal, líder entre os evangélicos com apoio do estado, teve seu nome rejeitado pela campanha, sem maiores explicações.
Por último, Daniela Marques Consentino, também integrante do Governo bolsonarista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal (até janeiro de 2023), com 46 anos, esteve na lista de favoritas para o cargo até os últimos dias, mas algo (ou alguém) impediu sua indicação.
Por mais que a candidatura pregue, e anuncie a presença e participação efetiva junto ao quadro político feminino bolsonarista, nada acontece. Atitudes que, segundo aliados, reacendem as antigas rusgas que motivam crises de comando a cada semana.
A disputa eleitoral no Distrito Federal aponta Michelle Bolsonaro com grande aceitação para o Senado, segundo pesquisas recentes. Na avaliação dos eleitores o receio é que, diante de tantos episódios mal conduzidos pelo partido, algo afete o desempenho de quem ainda sinaliza bons resultados.
José Natal
Jornalista

